ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE

O arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, vem trabalhando intensamente para dar uma nova cara à Arquidiocese. Há quase dois anos à frente da Igreja Católica local, muitas mudanças já foram feitas e outras estão começando a ser planejadas. ´Uma Igreja ainda mais perto do povo` é o que pretende o pastor de mais de 4,7 milhões de católicos, distribuídos em 103 paróquias. Com um olhar mais voltado para o social, dom Fernando tem governado com o apoio dos padres e religiosos e, principalmente, dos leigos. O bispo não quer os católicos apenas nas missas, quer mobilizá-los para as questões importantes do dia a dia. A última iniciativa foi o lançamento da Campanha da Fraternidade, que neste ano trata de temas relacionados ao meio ambiente. Após a missa de cinzas, celebrada no Convento de São Félix, no Pina, o arcebispo conduziu uma caminhada em protesto contra os projetos públicos e privados que ameaçam o manguezal da Zona Sul. Descentralizar o ´poder` também foi uma outra atitude ousada, tomada por dom Fernando neste ano. Dividir a Arquidiocese em quatro microrregiões ´facilitará o atendimento ao povo`.

A Igreja neste ano vai tratar da ecologia na Campanha da Fraternidade, um assunto bem atual. Como o senhor vê essa iniciativa da CNBB?

Vejo como feliz iniciativa da Igreja. O desejo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) não é simplesmente abordar, pela quarta vez, um tema ecológico, mas, falar da vida ameaçada pela própria criatura humana. ´Fraternidade e a vida no planeta` e o lema ´A criação geme em dores de parto` (Rm 8,22) vai provocar o debate sobre assunto da maior urgência e interesse popular. A insistência do tema ecológico mostra a preocupação da Igreja, que prolonga a reflexão de 1979: ´Por um mundo mais humano`; de 2004: ´Fraternidade e água`; e de 2007: ´Fraternidade e Amazônia`.

Como a Arquidiocese de Olinda e Recife pretende conduzir esta campanha?

Começamos bem, com uma bela celebração no Convento de São Félix de Cantalice, no Pina, e a caminhada de 2 quilômetros até os ameaçados manguezais da Zona Sul da do Recife – pulmão desta nossa querida cidade. É preciso estarmos atentos a possíveis danos ambientais com a construção da chamada Linha Verde e de empreendimentos privados na área. Agora, pretendemos avançar no debate em nossas comunidades paroquiais e sociais para que todos cresçam na consciência ecológica. Também é importante articular grupos de defesa do meio ambiente para somar forças. Outras ideias mais práticas irão surgindo ao longo do debate. Tudo será articulado pela Coordenação Arquidiocesana de Pastoral, juntamente com as comissões para o ´Serviço da Caridade, Justiça e Paz` e ´Cultura, Educação e Comunicação Social`.

No ano passado, a Arquidiocese se envolveu na polêmica da venda da Tamarineira, onde seria construído um shopping. O senhor não acha que haveria um impacto ambiental muito grande com a construção de um centro de compras naquele lugar?

Esclareço, inicialmente, que não houve venda mas uma cessão, onde ao final do prazo contratual a Santa Casa receberia de volta a Tamarineira, inclusive com as benfeitorias nela realizadas. Quanto ao impacto ambiental, não acredito que existiria. As diretrizes do projeto apresentadas pela Santa Casa e pelo investidor, a Realesis, ano passado, quando abri para a sociedade e os poderes públicos a discussão do projeto, mostrava a preocupação que tivemos com a preservação do meio ambiente. Na ocasião, apresentamos a proposta de, além de ser preservados os 70% da área verde já existente, previstos pela lei, ampliá-la, visto que é sabido que atualmente várias partes do terreno já foram desmatadas. Nas diretrizes do projeto, foi proposto tornar o local aberto ao público sem custos para a municipalidade. Seria construído um parque ambiental temático especialmente projetado para a reflexão e informação das questões urbanas e ambientais. O centro de compras daria sustentabilidade ao parque e tudo seria realizado utilizando as mais modernas técnicas de preservação do meio ambiente. Todos os materiais utilizados no empreendimento seriam certificados. As edificações seguiriam os princípios da arquitetura e da engenharia sustentável, pois, após sua conclusão seria submetida à certificação ambiental. Assim, teríamos a alegria de termos construído o primeiro ´edifício verde do Recife`.

A Prefeitura do Recife entrou na Justiça e pediu a posse do terreno. Alguém já o procurou para indenizar a Arquidiocese?

Nossa assessoria jurídica não tem notícia de que o município ingressou com ação nenhuma. Também não fomos procurados, Arquidiocese ou Santa Casa, para discutir o valor da indenização. Esperamos, contudo, que se isso vier a ocorrer que o prefeito apresente valores compatíveis com o efetivo prejuízo que a Santa Casa sofreu e continua sofrendo, pois a desapropriação da Tamarineira interferiu substancialmente numa outra operação que realizou com o mesmo investidor.

No início deste ano, o senhor anunciou a criação dos vicariatos episcopais, dividindo a Arquidiocese em quatro microrregiões. Quais as vantagens dessa nova configuração da Igreja local?

Vicariato é uma porção do Povo de Deus, confiada à coordenação de um vigário episcopal, que atuaem nome e em comunhão com o bispo diocesano. Nossa Arquidiocese possui 103 paróquias, distribuídas em 19 municípios, com uma população de quase 4 milhões de habitantes. Com os vigários gerais e episcopais, formaremos um colegiado que vai possibilitar a descentralização das ações pastorais e burocráticas. Vamos iniciar com 4 vicariatos: Recife, Olinda, Cabo de Santo Agostinho e Vitória de Santo Antão. Muito brevemente, teremos mais um vicariato específico para a vida religiosa e consagrada. No futuro, muito provavelmente, será necessário dividir o vicariato Recife, que concentra a maior parte da população. Tudo isso representa ganho porque haverá uma melhor assistência para todos.

Ao longo desse um ano e meio à frente da Arquidiocese o que o senhor já aponta como mudanças positivas?

Esta avaliação deve ser feita, sobretudo, pelo povo de Deus. Tenho consciência de que, quem guia a Igreja é o Espírito Santo. De minha parte, não falta boa vontade e desejo de servir, procuro dar o melhor de mim mesmo, tendo emvista o bem deste povo bom que Deus confiou aos meus cuidados pastorais. Alegra-me muito o apoio que tenho recebido dos meus irmãos presbíteros, diáconos, religiosos e religiosas, leigos e leigas, que estão participando ativamente da caminhada de nossa Igreja Particular, integrando as ´Comissões Arquidiocesanas de Pastorais` e as várias pastorais, movimentos e associações que são a força viva da Igreja Católica. Uma das principais mudanças vamos vivenciar agora com a criação dos vicariatos.

E quais são os maiores problemas?

Dois dos principais desafios são: formação e consciência missionária. Os desafios, porém, motivam a superação. Não podemos cair na tentação do imediatismo, mas, precisamos exercitar a paciência e prudência para ter mais firmeza nos passos.

Quando o senhor foi nomeado para a Arquidiocese muitos acreditaram que os padres afastados nos últimos anos voltariam para suas atividades paroquiais. Apenas o padre Cosmo voltou a ser pároco. Como andam os outros casos, por exemplo, o padre João Carlos, de Água Fria?

O padre Cosmo não estava afastado. Ele exercia o seu ministério presbiteral na Paróquia de São Lourenço Mártir como vigário paroquial. Recentemente, tomou posse como pároco, por seis anos, da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, em Jaboatão dos Guararapes. Não temos muitos casos de padres afastados. Depois de minha chegada, com a aprovação do Conselho Presbiteral, foi dado o Uso de Ordem a dom Plácido de Azevedo Pontes – beneditino, que está no Mosteiro de São Bento de Olinda, e ao padre Francis Murphy, que mantém uma creche na Estrada dos Remédios. Com o padre João Carlos, de Água Fria, tomei iniciativa do diálogo e fiz duas propostas, em ocasiões diferentes, que não foram aceitas pelo mesmo.


Saiba mais

O oitavo arcebispo de Olinda e Recife, dom Antônio Fernando Saburido, tomou posse no dia 16 de agosto de 2009.

A Arquidiocese de Olinda e Recife é composta por 19 municípios mais o Arquipélago de Fernando de Noronha. São cerca de 4,7 milhões de católicos, distribuídos em 103 paróquias.

A Arquidiocese foi dividida em quatro microrregiões: Recife, Cabo de Santo Agostinho, Olinda e Vitória de Santo Antão. A nova configuração pretende desburocratizar o atendimento da Igreja.

A Campanha da Fraternidade 2011 tem como tema ´Fraternidade e vida no planeta` e lema ´A criação geme em dores de parto`.

Oficialmente ela é vivenciada pela Igreja no Brasil durante a quaresma, ou seja, da quarta-feira de cinzas até o domingo de Ramos.

A partir deste ano, dom Fernando Saburido vai visitar cada uma das 103 paróquias. O objetivo é conhecer de perto os trabalhos pastorais e atender às necessidades dos fiéis e dos padres.

Fonte: Diario de Pernambuco