Há cinco anos, em 10 de julho de 2021, a Arquidiocese de Olinda e Recife inaugurava um espaço que, desde então, se tornou sinal concreto da presença da Igreja junto aos mais vulneráveis. Idealizada pelo diácono Antônio Sebastião, a Tenda do Encontro, localizada na Rua da Aurora, em meio ao manguezal no pé da Ponte do Limoeiro, foi abençoada pelo então arcebispo dom Fernando Saburido e seu auxiliar dom Limacêdo Antonio. O principal objetivo da Tenda era acolher com amor e igualdade, aos sábados, pessoas em situação de rua, oferecendo alimento para o corpo e para a alma.

Movido pelo desejo de tornar o Evangelho presença concreta entre os mais pobres, o diácono Antônio Sebastião transformou a iniciativa em uma missão permanente de acolhimento. Além da distribuição de refeições e lanches, viabilizada por importantes parcerias, a Tenda promove celebrações eucarísticas e celebrações da Palavra, reunindo voluntários e benfeitores em torno do compromisso de cuidar da dignidade daqueles que vivem nas ruas.
A comemoração dos cinco anos foi marcada por uma celebração eucarística presidida por dom Nereudo Freire, bispo auxiliar da Arquidiocese de Olinda e Recife. O bispo destacou a alegria de celebrar ao lado daqueles que fazem da Tenda uma verdadeira comunidade de fé. “Foi um encontro de irmãos, cada um com sua história, suas angústias e seus sofrimentos, mas entusiasmados, celebrando verdadeiramente a vida, porque ali é o banquete da Eucaristia. Nesse banquete, os pobres são acolhidos”, afirmou.

Na reflexão do bispo, a Tenda do Encontro revela um contraste com a realidade vivida por muitas pessoas em situação de vulnerabilidade. “Enquanto a sociedade despreza os empobrecidos e gera cada vez mais pobres, ali a experiência é outra: é um encontro com Deus, de renovação da vida, da alegria e da esperança.” O bispo também ressaltou a simplicidade dos testemunhos ouvidos durante a celebração. “Uma senhora dizia: ‘Aqui nós temos apoio, aqui nós somos acolhidos’. São palavras que revelam o verdadeiro sentido da missão da Igreja”, comentou o bispo auxiliar da Arquidiocese.
Dom Nereudo destacou ainda a importância da presença da Igreja que vai ao encontro dos que sofrem. “Ali estava o encontro com Jesus Eucarístico. Não havia disputa por poder ou protagonismo, mas pessoas unidas pelo desejo de servir. É a Igreja presente com ministros ordenados e leigos caminhando ao lado de um povo sofrido.”
Ao recordar os cinco anos de caminhada, Dom Nereudo reconheceu também os desafios enfrentados pelos responsáveis pela missão. “São cinco anos de bons frutos, de renovação da vida e da esperança, mas também de sofrimento. Os coordenadores que acompanham os empobrecidos também são pobres e enfrentam muitas dificuldades, inclusive na estrutura eclesial. Ainda assim, a semente lançada continua produzindo frutos.”
A tarde na Tenda do Encontro traduz de maneira concreta o caminho que a Igreja é chamada a percorrer. “A Tenda é a imagem das diretrizes da Igreja hoje: uma tenda que se desloca, que se amplia e vai ao encontro das pessoas. Celebrar esse momento com os mais pobres, aqueles que muitas vezes são desprezados pela sociedade, é experimentar a presença de Cristo. Talvez todos nós possamos aprender com eles o sentimento de, em meio às adversidades, manter a esperança, ter fé, acreditar na vida e continuar”, comentou.
Um dos aspectos que mais emocionou Dom Nereudo foi perceber que, naquele espaço, cada pessoa é conhecida, chamada por seu nome, respeitada por sua história e identidade. Ao completar cinco anos, a Tenda do Encontro reafirma sua missão de ser um lugar onde a solidariedade, a fraternidade e a fé se unem para devolver dignidade, fortalecer vínculos e anunciar que ninguém está sozinho – vivência do Evangelho nas ruas, onde cada pessoa é acolhida como irmão e irmã.
Pascom AOR



















