Agora, são quatro os processos em andamento na Arquidiocese: além de Madre Agathe, estão em curso processos de beatificação e canonização de Dom Vital, Dom Helder e Frei Damião de Bozzanno.
O arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife, dom Paulo Jackson, participou, no domingo (22), de um momento histórico para as Religiosas da Instrução Cristã (RIC): a solenidade de abertura do processo de beatificação e canonização de Ir. Agathe Verhelle, fundadora do Instituto. No auditório da Província, no Recife, cerca de 70 religiosas do Instituto foram testemunhas da abertura do processo que busca reconhecer a santidade de Madre Agathe e colocá-la nos altares.

O arcebispo de Olinda e Recife, dom Paulo Jackson, participou do momento ao lado da superiora geral do Instituto, Ir. Eulália Maria, e da provincial do Instituto, Ir. Patrícia Vasconcelos. Para o arcebispo, a santidade dos santos nada mais é que a expressão da santidade de Deus. “Abrir o processo de beatificação e canonização da madre Agathe é motivo de muita alegria. Oportunidade para conhecer mais a fundo o testemunho de vida desta mulher, cujo nome significa ‘boa’. A madre Agathe Verhelle era, de fato, uma mulher boa – e de fibra. Naquele contexto complicado de França, Bélgica e Holanda, depois da revolução francesa, ela foi de uma firmeza impressionante, com um senso de Deus grandioso, juntando as irmãs para a honra e para a glória de Deus”, comentou dom Paulo.
Uma comissão foi constituída para coordenar os trabalhos em nível arquidiocesano: padre Nilson Melo, delegado episcopal; padre Augusto César Figueirôa de Arruda, promotor de justiça; Hildo Pereira Neto, notário; e frei Jociel Gomes, postulador da causa. A causa foi aberta na Arquidiocese de Olinda e Recife porque foi onde Madre Agathe exerceu de forma significativa seu carisma e sua missão, com história profundamente enraizada em Pernambuco, onde o Instituto mantém há mais de um século uma forte atuação na educação, na evangelização, nas comunidades inseridas e no serviço à juventude.

A irmã Auxiliadora, que sempre confiou na intercessão da Madre Agathe, partilhou um episódio de sua vida que considera um milagre: a presença protetora e providencial da madre numa situação muito difícil. Há alguns poucos anos, a religiosa pediu a ajuda da Madre Agathe para resolver o problema de uma prisão, aparentemente injusta, de dois familiares. Ao visita-los, sozinha, na cadeia, algumas pessoas afirmaram que uma freira de hábito preto estava a seu lado, falando francês. A Ir. Auxiliadora acredita que a Madre Agathe estava com ela – apesar de ter falecido em 1838. Os familiares foram soltos após a visita.
Para o postulador da causa, o episódio não é isolado, mas junta-se a diversos relatos de graças alcançadas. “Há muito a se conhecer sobre esta serva de Deus que dedicou sua vida aos jovens. Embora a madre tenha falecido ainda no século 19, seu testemunho – de fé, caridade e esperança – é perene e continua falando ao coração das pessoas nos dias de hoje”, comentou frei Jociel.

Dom Paulo Jackson celebrou a missa dominical na capela do colégio das irmãs, logo após o encerramento da sessão solene no auditório. Ao lado do bispo auxiliar dom Josivaldo Bezerra, o arcebispo mostrou à comunidade o valor e a importância da abertura do processo. As irmãs contam com a oração dos fiéis para que o processo avance, em nível local, para chegar em breve ao Dicastério para a Causa dos Santos, no Vaticano. E para que a vida e o carisma de Madre Agathe inspirem mais e mais pessoas à vida em Deus.

Quem foi Madre Agathe

Madre Agathe Verhelle (1786–1838) foi uma mulher de fé, coragem e visão, que viveu em um contexto de profundas transformações sociais e religiosas na Europa, após a Revolução Francesa. Sensível à realidade da juventude, especialmente dos mais pobres e abandonados, ela sentiu-se chamada por Deus a responder com generosidade aos desafios do seu tempo.
Em 1823, fundou, na Bélgica, o Instituto das Religiosas da Instrução Cristã, com a missão de educar, evangelizar e formar a juventude, promovendo a dignidade humana, a fé e a transformação social. Em apenas 15 anos, estabeleceu sete comunidades na Bélgica, consolidando um projeto educacional e evangelizador que logo atravessaria fronteiras, chegando posteriormente ao Brasil, na América Latina, e à África.
Madre Agathe viveu de forma intensa o carisma de “Consagrar-nos a Deus e sacrificar-nos inteiramente a serviço da juventude, em toda parte, onde possamos cooperar na propagação da Glória de Deus”. Sua espiritualidade era marcada pela humildade, simplicidade, amor ardente a Deus e serviço à juventude, especialmente através da educação cristã.
Faleceu no dia 1º de dezembro de 1838, aos 52 anos, deixando um legado que permanece vivo há mais de dois séculos. Seu testemunho continua inspirando gerações de religiosas, educadores, leigos e leigas na missão de revelar ao mundo a face do Cristo Educador, especialmente nas escolas, nas comunidades inseridas e nas paróquias onde o Instituto está presente.
Pascom AOR







