ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE

O arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, e o bispo auxiliar da Arquidiocese, dom Limacêdo Antonio, promoveram no auditório da Cúria Metropolitana, na tarde desta terça-feira (25/05), uma reunião para conhecer melhor e discutir o projeto do Arco Metropolitano do Recife, que prevê a integração entre as rodovias BR-101, BR-232, BR-408 e PE-060, ligando o Cabo de Santo Agostinho a Igarassu. O tema central da discussão foi o traçado previsto para essa integração, que atravessa uma Área de Proteção Ambiental, a APA Aldeia-Beberibe, o que, segundo estudiosos, poderia trazer danos à biodiversidade. A reunião foi proposta pela Comissão Arquidiocesana de Pastoral Ambiental, preocupada com o impacto que o Arco pode causar à qualidade de vida dos moradores da região.

Participaram da reunião a secretária estadual de Infraestrutura e Recursos Hídricos, Fernandha Batista; o secretário estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade, José Bertotti; o diretor presidente da Agência de Desenvolvimento de Pernambuco (AD Diper), Roberto de Abreu e Lima, além do engenheiro Herbert Tejo, presidente do Fórum Socioambiental de Aldeia. Também os padres responsáveis pelas paróquias localizadas nos municípios envolvidos foram convidados, para contribuir com informações e tirarem suas dúvidas, como as do Cabo de Santo Agostinho, Jaboatão dos Guararapes, Moreno, São Lourenço da Mata, Paudalho, Abreu e Lima e Igarassu.

Dom Limacêdo afirmou que a reunião na Cúria veio se juntar à discussão que foi realizada na semana passada na Assembleia Legislativa, da qual os bispos, por conta de outros compromissos, não puderam participar. “Estamos em busca da verdade, porque sabemos que a verdade liberta, como disse São João (cf Jo 8,32)”, disse o bispo. “Fiquei muito feliz com a presença das autoridades e de cada pároco e diácono daquela região, porque somos pastores e queremos que nosso povo seja feliz, tenha qualidade de vida, por isso estamos junto com o povo”, disse o bispo. Dom Limacêdo lembrou, no entanto, que o momento era para conhecimento e não para respostas definitivas. “Hoje não teremos todas as respostas, mas algumas eram necessárias para elucidar o pensamento, encaminhar o nosso pensamento para o bem do povo”.

O Arco Viário está ainda em fase de estudos. Com sua implantação, o governo quer facilitar a ligação rodoviária de alguns municípios para o Porto de Suape, aumentando o interesse de indústrias e formando novos polos econômicos no Estado. Para a secretária Fernandha Batista, é possível chegar a uma solução sustentável, com os traçados propostos ou outros. “Discussões são bem-vindas, mas a gente precisa se desarmar, enxergar os ganhos”, disse, citando como intervenção de sucesso a implantação da Via Mangue na zona sul do Recife, que não trouxe ocupação das margens e dos aterros, além de um exemplo além-mar, como a ponte-túnel que liga a Dinamarca à Suécia, na Europa.

O engenheiro Herbert Tejo alertou para os prejuízos de uma intervenção dessa magnitude na Área de Proteção Ambiental. “Esta é uma área importantíssima, com mananciais hídricos superficiais e subterrâneos, nascentes, de extrema importância para a nossa biodiversidade”, afirmou. O ambientalista teme que a pequena extensão de Mata Atlântica da APA seja reduzida, fazendo crescer o índice de devastação do bioma no Brasil. A Mata Atlântica é o segundo bioma mais ameaçado de extinção do planeta (só as florestas de Madagascar estão mais ameaçadas). Quando os primeiros europeus chegaram ao Brasil, em 1500, o bioma cobria 15% do território brasileiro. Os dados mais atuais são de 1995 e apontam que o Brasil tem apenas 7,84% de remanescentes da Mata Atlântica, com cerca de 102.000 Km².

A Comissão Arquidiocesana de Pastoral Ambiental continuará acompanhando o andamento do projeto, lutando pelos interesses da Casa Comum, que é o planeta com seus habitantes, obra do Criador. Párocos da região de influência do projeto darão suas contribuições.

Pascom AOR