O Papa Francisco enviou uma mensagem, nesta terça-feira (06/12), aos participantes da 21ª sessão comum das Pontifícias Academias que este ano tem como tema “Faíscas de beleza para um rosto humano das cidades”. O Papa congratula-se com os membros e o presidente da Pontifícia Insigne Academia de Belas-Artes e Letras dos Virtuosos no Panteão, antiga instituição acadêmica criada em 1542, em Roma.
Francisco afirma que o tema deste ano se refere também “à atualidade, aos projetos de requalificação e renascimento das periferias das metrópoles, das grandes cidades, elaborados por arquitetos qualificados, que propõem, faíscas de beleza, ou seja, pequenas mudanças de caráter urbanístico, arquitetônico e artístico através dos quais recriar, nos contextos mais degradantes e feios, um sentido de beleza, de dignidade, de decoro humano e não só urbano. Cresce a convicção de que também nas periferias existem traços de beleza, de humanidade verdadeira, que é preciso saber acolher e valorizar, que devem ser apoiados e incentivados, desenvolvidos e difundidos”.
“Talvez muitas cidades de nosso tempo, com os seus subúrbios desoladores, deixaram mais espaço aos medos do que aos desejos e aos sonhos mais bonitos das pessoas, sobretudo dos jovens. Recordei na Encíclica ‘Laudato si’ que «não se deve descurar nunca a relação que existe entre uma educação estética apropriada e a preservação de um ambiente sadio», afirmando que «prestar atenção à beleza e amá-la nos ajuda a sair do pragmatismo utilitarista. Quando não se aprende a parar a fim de admirar e apreciar o que é belo, não surpreende que tudo se transforme em objeto de uso e abuso sem escrúpulos»”.
Desenvolvimento
Segundo Francisco, “é necessário que os templos sagrados, começando pelas novas igrejas paroquias, sobretudo as situadas nas periferias e contextos degradantes, se tornem oásis de beleza, de paz e acolhimento, favorecendo o encontro com Deus e a comunhão com os irmãos e irmãs, tornando-se ponto de referência para o crescimento integral de todos os habitantes, em prol do desenvolvimento harmonioso e solidário das comunidades”.
“Cuidar das pessoas, começando dos pequenos e indefesos, significa cuidar também do ambiente em que eles vivem. Pequenos gestos, ações simples, pequenas faíscas de beleza e caridade podem curar, remendar o tecido humano, urbanístico e ambiental, muitas vezes dilacerado e dividido, sendo uma alternativa concreta à indiferença e ao cinismo.”
Faísca de esperança
Para Francisco, “os artistas devem se deixar iluminar pela beleza do Evangelho de Cristo, criando obras de arte que levem através da linguagem da beleza, um sinal, uma faísca de esperança e confiança onde as pessoas parecem se render à indiferença e ao feio”. “Arquitetos, pintores, escultores, músicos, cineastas, literários, fotógrafos, poetas, artistas de toda disciplina são chamados a fazer brilhar a beleza sobretudo onde a escuridão domina na cotidianidade, são custódios da beleza, anunciadores e testemunhas da esperança para a humanidade, como repetiu várias vezes os meus predecessores. Cuidem da beleza, pois ela curará as feridas que marcam o coração e a alma dos homens e mulheres de nossos dias”, conclui.
Com informações da Rádio Vaticana







