Arquidiocese de Olinda e Recife promoveu a terceira edição do Natal para eles

O Natal e o Ano Novo do artesão Sebastião Marcos de Andrade, de 44 anos, será diferente este ano. Com cabelos cortados e documentos de identidades renovados, Sebastião foi um dos moradores de rua da Capital pernambucana que recebeu, ontem, uma atenção especial da Arquidiocese de Olinda e Recife. A atenção ao morador das calçadas da rua do Imperador, localizada no Centro do Recife, e de mais moradores se deu durante a realização da terceira edição do Natal dos Moradores de Rua.
A ação, comandada pela Pastoral do Povo de Rua em conjunto com órgãos estatais e municipais, aconteceu nas instalações da Basílica de Nossa Senhora do Carmo, situada no bairro de Santo Antônio, Centro do Recife. Lá, tanto Sebastião quanto os demais moradores de rua ganharam um dia para cortar os cabelos, fazer nova identidade e certidão de nascimento, dá entrada no bolsa-família, receber atendimento médico e apresentações culturais. Tudo gratuitamente.
De acordo com o coordenador arquidiocesano da Pastoral do Povo de Rua, padre Luiz Vieira, diferentemente das outras edições, este ano, o evento procurou resgatar a cidadania dos moradores de rua. “Antes, nós só dávamos os cobertores. Depois fomos aprofundando e notamos que falta tratar a questão da cidadania. Com isso, desde a última edição estamos realizando cortes de cabelos, emissão de documentos, atendimento médico e promovendo atrações culturais para eles. Devemos enxergar essas pessoas como gente”, disse o padre.
Atrações e serviços gratuitos à parte, após o corte de cabelo e a emissão da quarta carteira de identidade Sebastião avaliou a ação. “Achei muito boa porque tão ajudando pessoas que necessitam. A identidade, por exemplo, é a terceira vez que perco e eu teria que pagar para ter novamente”, disse em meio ao alívio de ter diminuído o volume de cabelo.
Quem também adorou a ação cidadã foi o casal de moradores de rua e pescador Severino Manoel Bento, 54, e Ivonete da Conceição Vasconcelos, 44. Os dois dirigiram-se ao espaço ontem para tirar novos registros de nascimento, pois o último que tinham foi roubado na rua. Após alguns minutos assinando o nome no novo documento, o casal explicou o efeito que a ação representa em suas vidas. “Nós não conseguimos ser atendidos no médico porque não tínhamos um documento. Agora, vamos poder se consultados”, concluiu o casal que após passar um longo tempo morando na Ponte Maurício de Nassau, hoje, reside em um albergue da Prefeitura do Recife localizado na rua da Glória, no Centro da Cidade.
Além da ação de ontem, a Pastoral do Povo de Rua, reativada há três anos, realiza, durante o ano, visitas aos moradores de rua do Centro.
Reportagem: Anderson Bandeira
Fonte: Folha de Pernambuco








