ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE

PASCOM AOR

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Foram 21 anos de pastoreio na Arquidiocese de Olinda e Recife. Já são 16 de saudade. Para recordar e homenagear o Servo de Deus Dom Helder Camara será celebrada Missa em sufrágio nesta quinta-feira, 27. A cerimônia ocorrerá na Igreja Catedral Santíssimo Salvador do Mundo – Sé de Olinda a partir das 19h30. Presidirá a celebração o arcebispo metropolitano, dom Fernando Saburido.

A homilia será feita pelo vigário episcopal do Vicariato Olinda e pároco da Paróquia São Pedro Mártir de Verona, monsenhor José Albérico de Almeida. O sacerdote é mestre em Teologia Pastoral pela Universidade Pontifícia de Salamanca, na Espanha. O tema do recente trabalho de conclusão de curso foi “Dom Helder Camara: do sonho à realidade”. No estudo, o monsenhor fala do anseio que dom Helder levou para o Concílio Vaticano II e da realidade de ter posto em prática uma igreja servidora e voltada para os pobres.

Na Igreja Catedral, situada em Olinda, estão sepultados os restos mortais do arcebispo emérito, por isso a escolha da igreja para a celebração. Já as missas nas quais se recorda o nascimento (09 de fevereiro) serão sempre realizadas na Igreja das Fronteiras, no Recife, local onde ele residiu por vários anos e hoje funciona o Memorial Dom Helder Camara.

Dom Helder ficou conhecido em todo o mundo pelas ações voltadas para os mais necessitados e pela defesa da justiça e da paz. Fato que lhe rendeu a carinhosa designação de Dom da Paz. O arcebispo faleceu no dia 27 de agosto de 1999 em decorrência de uma parada cardio-respiratória. O legado permanece vivo.

Processo
A Arquidiocese de Olinda e Recife iniciou a fase diocesana do processo de beatificação e canonização de dom Helder no dia 3 de maio deste ano após o aval da Santa Sé ratificado por meio de carta enviada pelo prefeito da Congregação Causa dos Santos, cardeal dom Angelo Amato. Na ocasião foi constituído o tribunal formado por cinco membros: juiz delegado e promotor de justiça (ambos canonistas), notário, notário adjunto e cursor. O grupo de trabalho está analisando os novos textos publicados pelo Servo de Deus ouvindo pessoas com quem ele teve contato.

Terminada a fase diocesana, o postulador elaborará o “Positio”. Trata-se de um compêndio dos relatos e estudos realizados pela comissão, contendo uma biografia documentada e a apresentação das virtudes teologais e cardeais praticadas pelo Servo de Deus.  Assim que aprovado, o papa concede o título de Venerável Servo do Senhor.

A penúltima etapa é a da beatificação. Ser beato, ou bem-aventurado, significa representar um modelo de vida para a comunidade e, além disso, que essa pessoa tem a capacidade de agir como intermediário entre os cristãos e Deus. Para isso será necessário o reconhecimento de um milagre realizado por intercessão do Servo de Deus.

Depois, ainda é preciso passar por mais uma fase: a canonização. Para ser proclamado santo é imprescindível a comprovação de outro milagre, que deve ocorrer após sua nomeação como beato.

Perfil
dom_helder_2_arquivo_instituto_dom_helder_camaraDom Helder Camara nasceu em 7 de fevereiro de 1909, em Fortaleza, e  teve 12 irmãos. Após entrar muito jovem no Seminário da capital do Ceará, se tornou padre aos 22 anos.

O primeiro momento da vida religiosa de dom Helder foi marcado pela militância junto a instituições políticas conservadores, como a Ação Integralista Brasileira, entre 1932 e 1937. Mais tarde, o religioso considerou a participação como um erro da juventude. Já radicado no Rio de Janeiro desde 1936, passou a optar por um trabalho assistencialista, quando fundou departamentos da Igreja voltados para atender os mais necessitados.

Após longo período atuando na então capital do Brasil, dom Helder foi nomeado para o Maranhão. Com a morte do arcebispo de Olinda e Recife, é mandado para Pernambuco, onde desembarcou em 12 de abril de 1964, poucos dias após o golpe militar. Na capital pernambucana, o religioso desembarcou em meio a uma relação conturbada entre Governo do Estado e Igreja.

Dois dias após a posse, dom Helder lançaria, juntamente com outros 17 bispos nordestinos, um manifesto à Nação, pedindo liberdade das pessoas e da Igreja. O primeiro grande atrito, entretanto, ocorreu em agosto de 1969, quando o arcebispo foi acusado de demagogo e comunista, por ter criticado a situação de miséria dos agricultores do Nordeste.

A partir de então, dom Helder sofreu represálias, inclusive com sua casa metralhada, assessores presos e com a morte de Padre Antônio Henrique, que foi assassinado. Em 1970, quando dom Helder teve o nome lembrado para o Prêmio Nobel da Paz, o governo brasileiro promoveu uma campanha internacional para derrubar a indicação, já que ele denunciava a prática de tortura a presos políticos no Brasil. Também em 1970, os militares chegaram a proibir a imprensa de mencionar o nome do arcebispo de Recife e Olinda.

Dom Helder comandou a Arquidiocese de Olinda e Recife até o dia 10 de abril de 1985, quando – por atingir a idade limite de 75 anos – foi substituído pelo arcebispo dom José Cardoso Sobrinho.  Ele morreu em sua casa, no Recife, em 27 de agosto de 1999, devido a uma insuficiência respiratória decorrente de uma pneumonia. Seus restos mortais estão sepultados na Igreja Catedral Santíssimo Salvador do Mundo, em Olinda.

Pelo seu trabalho em defesa dos direitos humanos, dom Helder recebeu vários prêmios internacionais, como Martin Luther King, nos Estados Unidos, 1970, e o Prêmio Popular da Paz, na Noruega, 1974.  O religioso é autor de 22 livros, a maioria ensaios e reflexões sobre o terceiro mundo e a Igreja.