PASCOM AOR
O clima na manhã desta sexta-feira, 04, foi de despedida. Um misto de tristeza, saudade e esperança. Qual desses sentimentos era mais forte? Ninguém foi capaz de dizer. A saída dos cerca de 60 seminaristas e padres residentes no Seminário Nossa Senhora da Graça na cidade de Olinda, após a interdição feita pela Defesa Civil da cidade, foi um dos capítulos mais tristes das história do centro de formação.
Uma missa pelas vocações presidida pelo arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, reuniu presbíteros, seminaristas e familiares no pátio externo da igreja. Emocionados, todos agradeceram pelo período que estudaram no local. “Esta é um missa votiva. Rezamos pelas vocações e agradecemos por tantos sacerdotes que já passaram por aqui desde 1800, quando começou o seminário. A interdição está sendo muito difícil para todos nós. Vamos apelar para que o quanto antes esse prédio seja restaurado. Precisamos em torno de 18 milhões para recuperar o conjunto. Vamos ver como vai ser possível arrecadar os recursos para ter o mais rápido possível esse imóvel a serviço da formação dos padres”, ressaltou o arcebispo.
Dos seminarista moradores da casa, Charles Araújo é o mais antigo. “O sentimento é de tristeza e esperança ao mesmo tempo. Achei que completaria todos os estudos aqui no seminário. Mas torço para que ele seja restaurado rapidamente. Talvez, eu não volte mais, mas espero que os demais e os novos vocacionados possam morar aqui novamente”, disse Charles.
A interdição ocorreu no dia 28 de maio, depois de três vistorias realizadas pelo órgão municipal. As visitas técnicas foram realizadas a pedido da arquidiocese por recomendação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
De acordo com a secretária de Defesa Civil de Olinda, Kátia Marsol, o conjunto arquitetônico apresenta sérios problemas estruturais e a interdição tem o objetivo de evitar acidentes.
Para iniciar as obras de restauro do conjunto arquitetônico de 480 anos, o arcebispo aguarda a autorização do Iphan para que começar a captação de pouco mais de R$ 3 mi pela Lei Rouanet para dar início às obras emergenciais de recuperação do imóvel.
As largas paredes do conjunto arquitetônico guardam importantes capítulos da história política e religiosa do Estado. O seminário foi um dos quartéis generais da Revolução Pernambucana ocorrida em 1817.
Seminário de Olinda – Igreja de Nossa Senhora da Graça
O conjunto arquitetônico formado pela Igreja de Nossa Senhora da Graça e pelo Seminário foi preservado, até hoje, a modulação clássica do prédio, sendo o maior e melhor testemunho da arquitetura jesuítica do século XVI, no Brasil.
Em 1535, Duarte Coelho fundou a ermida de Nossa Senhora da Graça para oferecer aos religiosos de Santo Agostinho. No entanto, nenhum chegou ao Brasil. Em seus lugares, vieram os jesuítas.
A capela foi, então, doada ao padre Antônio Pires, que desembarcou em Olinda em 1551. A construção, inspirada na Igreja de São Roque, em Lisboa, é uma importante referência da arquitetura quinhentista. Castigado pelo incêndio da cidade, o colégio foi, posteriormente, reconstruído e reocupado pelos jesuítas. No arco da capela-mor, há uma inscrição com a data de 1661, provavelmente, a época da conclusão dos reparos.
Com o banimento dos jesuítas, em 1760, o colégio foi abandonado e, posteriormente, doado à Mitra. Sob os cuidados do bispo dom Azeredo Coutinho, foi transformado em Seminário no princípio do século XIX.








