ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE

Nem todo o tríduo pascal foi vivido presencialmente pelos fiéis na Arquidiocese de Olinda e Recife. Na quinta-feira pela manhã, a Missa do Crisma e da Unidade, na catedral metropolitana, em Olinda, contou com a participação apenas dos padres que fazem parte do Conselho Presbiteral – cerca de 10% do clero. À tarde, os fiéis participaram da missa da Ceia do Senhor, ainda que com restrições por conta da pandemia: ocupação de apenas 30% da capacidade da igreja, uso de máscaras, higienização de mãos com álcool. Para reduzir os riscos de contaminação da Covid, a orientação do arcebispo, dom Fernando Saburido, foi de que a equipe de Liturgia excluísse, mais uma vez, o rito do lava-pés.

No ano passado, as igrejas estavam fechadas em todas as celebrações do tríduo pascal. Em 2021, houve certa flexibilização, definida por decreto do governo estadual: neste período, as igrejas puderam abrir, em dias úteis, das 5h às 20h. Nos finais de semana, no entanto, as igrejas fechavam às 17 horas.

Essa abertura permitiu a presença, na sexta-feira santa, de fiéis para a celebração da Paixão e Morte do Senhor. Houve a veneração ao madeiro que sustentou o corpo de Cristo em sofrimento, mas a cruz não foi beijada pelos fiéis, por questões sanitárias. O arcebispo, dom Fernando Saburido, guardou em si a dor da morte do Filho de Deus, lembrando-se também dos tantos irmãos que se foram neste último ano.

A vigília pascal, no sábado, foi celebrada a portas fechadas. Como a vigília só pode ser realizada após o pôr-do-sol e, por força do decreto, as igrejas fecham às 17h nos sábados e domingos, os fiéis acompanharam, pelas redes sociais, os detalhes da celebração: o Círio Pascal iluminando a catedral, a renovação das promessas do batismo, a alegria da ressurreição cantada nos sinos centenários.

As portas fechadas da catedral na noite escura de sábado, no entanto, deram lugar ao amanhecer radiante do domingo de Páscoa. Com capacidade para 450 fiéis sentados nos bons e saudáveis tempos, a catedral recebeu cerca de cem fiéis para a celebração, ocupando apenas os lugares permitidos, marcados por adesivos, para até duas pessoas por banco.

A esperança deu o tom da homilia de dom Fernando na missa de domingo pela manhã na catedral. Lembrando que o Batismo é um mergulho pelo qual o homem ressuscita para uma vida nova, o arcebispo propões que, uma vez batizados, “sejamos testemunhas da ressurreição de Cristo, mostrando ao mundo que nada está perdido. Cristo ressuscitou e a vitória de Cristo é a vitória de cada um de nós que somos seus discípulos e estamos suficientemente comprometidos com Ele. Apesar de todos os problemas, como este que estamos vivendo nos últimos tempos, muito abalados com a pandemia, nós podemos ver em tudo os sinais da ressurreição: é Deus que dá inteligência ao homem para que ele, tão rapidamente, possa chegar a uma vacina; mesmo com as dores das muitas perdas pela Covid, vemos sinais de ressurreição nas pessoas que foram contaminadas e superaram a doença; também nos tantos profissionais de saúde que estão sacrificando dias e noites no cuidado aos doentes, até colocando suas vidas em risco; ressurreição na solidariedade e na caridade de tantas pessoas que ajudam a dar um pouco de dignidade a quem perdeu o emprego, a quem não tem como se sustentar, a quem não tem o que comer. Viver a fé é viver em unidade, em partilha, e que outros sinais de fé e ressurreição possam surgir. Acreditemos, meus irmãos, na vitória de Jesus sobre a morte. Com Ele, também nós venceremos”, disse o arcebispo.

Pascom AOR