O arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, presidiu na noite desta sexta-feira (31/03) a celebração eucarística pelo sétimo dia de falecimento do arcebispo emérito da Paraíba, dom Marcelo Carvalheira. A missa ocorreu na igreja matriz de Nossa Senhora das Graças, no Recife, que ficou lotada de familiares, amigos e fiéis que admiravam o “Dom da Ternura”, como era conhecido.
A convite de dom Fernando Saburido, o pároco da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, em Tejipió, padre Marcelo Marques Santana Júnior, fez a homilia, destacando trechos da dissertação de mestrado “Dom Marcelo Carvalheira: a mística como práxis cristã” que defendeu em 2015 na Unicap, para obtenção de título de mestre em Ciências da Religião.
Padre Marcelo Júnior revelou a busca incessante do ainda menino Marcelo, pelo céu, no Seminário; sua profunda ligação e fidelidade à liturgia da Igreja; o gosto pela arte; o trabalho apaixonante do jovem sacerdote dedicado à formação de outros sacerdotes. “Dom Marcelo era um cálice a transbordar (…) Onde passava, o amor era palavra de ordem”, disse padre Marcelo.
De fato, relatos dizem que, em sua prisão na época da Ditadura Militar, dom Marcelo Carvalheira mais parecia uma visita que um encarcerado, tamanha a assistência que dava aos outros presos. Padre Marcelo Júnior lembrou as cartas de dom Carvalheira a dom Helder, “sempre tão carregadas de uma fidelidade à Igreja de Cristo”. Ressaltou, por fim, que vivendo tão imerso em sua vida de pastor, tinha ainda disponibilidade para ser um elo para toda a sua família. (Leia na íntegra a homilia de padre Marcelo Júnior)
Testemunhos da família corroboravam as impressões do padre Marcelo Júnior. As palavras de Carlos Eduardo Carvalheira, o Cadu, irmão de dom Marcelo, apresentaram para a assembleia um “santo de casa que fazia milagre sim”. Segundo ele, ternura e severidade andavam juntos com o arcebispo emérito, que era o confessor da família e atendia todos com serenidade, explicando que “o sofrimento faz amadurecer”.
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– E se, de tão maduro, eu apodrecer? – perguntou-lhe o irmão Cadu.
E dom Carvalheira parou, bateu o punho na mesa e falou, severamente, para o irmão, sem chama-lo pelo apelido de costume.
– Carlos Eduardo, não brinque! Você está em uma confissão!
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Uma pesquisa feita pelo pároco da Paróquia de Nossa Senhora das Graças, padre Josenildo Tavares, revelou que dom Carvalheira foi batizado aos cinco dias de nascido, nesta igreja matriz, em 5 de maio de 1928. Segundo sua irmã Maria José Carvalheira, que cuidou dos últimos dias de seu irmão, dom Marcelo “já nasceu padre”. Em seu pastoreio familiar, foi pai espiritual, guia e pai, “fazendo-me evitar os caminhos tortuosos da vida”, disse Maria José.
A missa de dom José Carvalheira emocionou os presentes, que ouviram nos testemunhos e homenagens não seus títulos e cargos na igreja, mas a pequenez de ter vivido a santidade aqui na terra. Nas palavras de dom Fernando Saburido, dom Carvalheira foi exemplo de cristão. “Aprendamos, com ele, o caminho para chegar ao céu”.
Dom Carvalheira faleceu no último sábado (25), aos 88 anos, no Recife, vítima de complicações pelos males de Parkinson e Alzheimer. Pernambucano de Recife, era oblato beneditino e tinha especialização em Teologia Dogmática. Foi um dos grandes colaboradores de dom Helder Camara durante a ditadura militar no Brasil, tendo sido, inclusive, preso e torturado, na defesa dos líderes católicos da época. Dom Carvalheira ocupou a vice-presidência da CNBB de 1998 a 2004 e estava morando com a família que lhe prestava assistência em sua doença.
Pascom AOR








