ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE

Acolhidos da Fazenda da Esperança de Jaboatão dos Guararapes lembraram ontem (28/10) a figura forte e injustiçada de seu patrono: o padre Antônio Henrique Pereira Neto, que foi assassinado na época da ditadura, em 1969. Se estivesse vivo, o padre Antônio Henrique teria completado 80 anos nesta quarta-feira. “Certamente, se estivesse entre nós, estaria trabalhando com toda sua alegria, como os párocos mais experientes e longevos de nossa Arquidiocese: Monsenhor Romeu e padre José Augusto”.

Os acolhidos estão sem máscaras porque moram todos juntos na Fazenda da Esperança. O arcebispo manteve distanciamento e não distribuiu a Comunhão.

O arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, diz essas palavras com um tom de admiração. Conheceu o padre Antônio Henrique antes mesmo de ele (o arcebispo) entrar no Seminário; recebeu dele, logo após o Concílio Vaticano II, Jesus Eucarístico diretamente em suas mãos – antes do Concílio, era inadmissível um fiel tocar a hóstia consagrada. “Isso marcou muito minha vida: receber a comunhão na mão, tocar o Corpo de Cristo pela primeira vez, e o celebrante era o padre Antônio Henrique”, conta.

A admiração pelo padre Antônio Henrique cresceu ao conhecer seu trabalho para tirar jovens do vício das drogas e por sua entrega à animação da juventude na época do episcopado de dom Helder Camara. Para dom Fernando, ele foi exemplo de como viver o Evangelho de Jesus Cristo. E logo que dom Fernando foi empossado arcebispo de Olinda e Recife, num gesto fraterno e justo à história, decidiu fazer o translado dos restos mortais do padre Antônio Henrique – do cemitério da Várzea para a igreja catedral, em Olinda – depositando-os ao lado de seus dois grandes pastores: dom Hélder Câmara e dom Lamartine Soares.

Colocar o nome do padre Antônio Henrique na primeira Fazenda da Esperança construída no território da Arquidiocese foi mais que uma homenagem. “Faze-lo patrono de nossa primeira Fazenda foi também uma forma de pedir sua intercessão pela vida e recuperação dos jovens que aqui acolhemos”, disse o arcebispo.

A partir da celebração desta quarta-feira, na Fazenda da Esperança, a data estará no calendário dos acolhidos. Foi uma sugestão do coordenador André Ramos, encantado com a lembrança do aniversário do patrono. “É a mesma data em que a Igreja faz memória dos apóstolos São Mateus e São Judas Tadeu, ambos mártires”, explicou André, “e agora vamos nos lembrar também do nosso patrono que, tendo sido morto por acreditar na verdade do Evangelho, é considerado por nós também um mártir”.

Na homilia, dom Fernando contou para os acolhidos toda a história do padre e a beleza de seu serviço à Igreja. Agora são 40 homens convivendo na Fazenda da Esperança buscando a libertação do vício das drogas por meio dos pilares fraternidade-trabalho-espiritualidade. A Fazenda da Esperança fica em Muribequinha, em Jaboatão dos Guararapes. Uma unidade feminina vai ser construída em breve na cidade de Primavera.

Pascom AOR