O bispo auxiliar de Olinda e Recife, dom Nereudo Freire, foi um dos palestrantes do Seminário Cultural Católico no Brasil realizado na quinta-feira, 28 de agosto, na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, que teve como tema “Desafios e Alternativas de Financiamento”. O evento foi realizado por meio de parceria entre PUC Rio, Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Ministério Público Federal, Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
O evento foi um espaço de diálogo para discutir caminhos que preservem a memória e fortaleçam a identidade cultural. Junto com dom Nereudo, participaram grandes nomes como o reitor da PUC, padre Anderson Antônio Pedroso; o arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani cardeal Tempesta; o bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers; o presidente e assessor da Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação, dom Gregório Paixão; o presidente do Iphan, Leandro Grass; além de outros nomes que discutiram e defenderam recursos para a preservação do patrimônio cultural católico.

Dom Nereudo falou sobre as experiências exitosas de financiamento sociocultural, apresentando as campanhas de distribuição de fundos da CNBB, como a Campanha de Evangelização, o projeto Comunhão e Partilha e o Fundo de Solidariedade da Campanha da Fraternidade. Segundo o bispo, há um diferencial nestes fundos coordenados pela CNBB. “Nós acreditamos nos pobres, nós acreditamos no testemunho de pessoas que buscam viver a solidariedade e a transparência, aquilo que o Papa Francisco bem sinalizou e a Igreja vem colocando como prioridade: precisamos de transparência em tudo aquilo que nós fazemos, porque nós estamos ainda mergulhados na cultura da corrupção, e a cultura da corrupção atrapalha, muitas vezes, a nossa boa ação”.
O Fundo de Solidariedade da Campanha da Fraternidade, apresentado pelo bispo, tem o propósito de atender os projetos sociais nas várias regiões do Brasil, especialmente nas mais pobres, inclusive incentivando produção alternativa que gere renda nas comunidades. A partir de um edital, o conselho gestor do Fundo recebe os projetos, analisa, aprova e transfere recursos para as entidades que foram contempladas, acompanhando a realização do projeto e exigindo prestação de contas após sua conclusão.
O projeto Comunhão e Partilha também foi classificado como um exemplo positivo na Igreja. Cada diocese oferece 1,5% de sua receita ordinária, destinando os valores a um fundo que contempla as dioceses mais carentes do Brasil. O valor arrecadado vai para a manutenção dos seminaristas no estudo da Filosofia e Teologia, como também dos alunos de mestrado e doutorado no Colégio Pio Brasileiro, em Roma. “Cabe lembrar o exemplo mundial do Óbolo de São Pedro, que se destina a apoiar as atividades caritativas e pastorais do Papa, como nas situações de emergência e tragédias, sendo um gesto de comunhão e solidariedade com o Santo Padre”, explicou dom Nereudo.
Ainda na fala do bispo auxiliar de Olinda e Recife, foi citada como exitosa a campanha das Pontifícias Obras Missionárias (POM), realizada em outubro. “Uma parte dos recursos vai para o Vaticano, onde o Papa faz a sua distribuição, e um percentual fica nas POM”. Há também a campanha dos lugares santos, com um percentual para ser aplicado em Jerusalém e outro para as igrejas orientais.
Dentre os temas abordados nas conferências estavam o papel do Iphan e da CNBB na defesa do patrimônio cultural da Igreja Católica no Brasil, novas alternativas de financiamento do patrimônio religioso no Brasil, e como as melhores práticas internacionais e o Acordo “Brasil – Santa Sé” podem auxiliar na preservação do Patrimônio histórico e artístico.

Em mais uma fala marcante de sua participação, o bispo defendeu a honestidade e transparência em todos os processos. Destacou a importância do trabalho do Iphan na preservação das igrejas no Brasil e disse que o Iphan, na missão de cuidar do patrimônio tombado, por vezes depara-se com a dificuldade de compreensão do administrador ou proprietário do bem. “Quando a gente fala em Iphan, traz o medo, porque, culturalmente, o Iphan é compreendido como uma instituição que vai para fiscalizar e não como uma instituição parceira. Nós precisamos mudar de compreensão, porque assim, sabendo que é uma parceria e que algo vai ser construído de forma coletiva, é possível ter êxito. Não basta ter propósito; é necessário fazer acontecer, haver aproximação e parceria. Creio que seja para nós um desafio”, disse o bispo auxiliar.
O seminário na PUC Rio plantou a ideia da criação de um fundo a ser gerido com transparência, como um serviço ao cuidado do patrimônio. “Que este encontro possa marcar uma época de mais esperança com soluções mais concretas para o cuidado com o patrimônio histórico da Igreja Católica e do Brasil”, disse o secretário da CNBB, dom Ricardo Hoepers.
Pascom AOR








