
Dom Helder diria que foi um “Encontro de Irmãos”, nome do movimento que criou em seu episcopado. Na sede da Cúria Metropolitana, no bairro das Graças, o arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, recebeu líderes e representantes de expressões religiosas diferentes na tarde desta terça-feira (24/11). Promovido pela Comissão Arquidiocesana de Pastoral (CAP) para o Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso, o encontro teve o objetivo de discutir trechos da encíclica Fratelli Tutti, do Papa Francisco, sobre a fraternidade e a amizade social para construir um mundo melhor, pacífico e com mais justiça.

Na sala do arcebispo estavam representantes da Igreja Católica, Aliança de Batistas do Brasil, Igreja Anglicana, Igreja Ortodoxa, Luterana, comunidade judaica, comunidade espírita, comunidade islâmica, religiões de matriz africana, Budismo, Fé Bahai e Hare Krishna.
“Esse diálogo é importante para, a começar de nós, demonstrarmos o profundo respeito por cada irmão diferente, cada crença, cada vida que se nos apresenta”, afirmou o arcebispo. “O Papa foi muito feliz em divulgar uma encíclica na qual afirma que ‘todos somos irmãos’, dedicando um capítulo à tolerância religiosa, com respeito e acolhimento”.

Em meio às intolerâncias políticas, raciais e sociais, o encontro na Arquidiocese abre espaço para um entendimento cada vez melhor entre as lideranças religiosas, constituindo-se em exemplo para as comunidades de fiéis e seguidores. Para Pai Edson, um dos representantes de religião de matriz africana no encontro, as lideranças religiosas são capazes de gerar tanto paz quanto guerra. “Aqui estamos em paz, cada um observando os valores humanos que o outro traz, que a encíclica do Papa nos traz, e isso faz muito bem”, disse.
A roda de conversa foi mediada pelo padre Fábio Santos, presidente da CAP para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso. “A proposta do diálogo não é nova e sempre promovemos ou participamos de discussões inter-religiosas para o bem-comum”, explicou. “A própria existência da Comissão é sinal da abertura e do respeito que nosso arcebispo – e todo o clero – tem para com esses nossos irmãos”.
O evento foi transmitido ao vivo pelo canal do YouTube da Arquidiocese de Olinda e Recife. Muitos foram os comentários, todos positivos e construtivos. Um deles foi o do estudante Rafael Victor, que participou a distância e considerou o encontro uma “excelente iniciativa, principalmente para nós, alunos do curso de Ciência das Religiões da Unicap”. Aprovação compartilhada também pelo advogado Adelson Sobral ao desejar “que essa fraternidade apontada na Fratelli Tutti nos traga a certeza de que somos todos irmãos”.
Há muito que se discutir ainda, estendendo o diálogo em escolas, grupos de amigos e de trabalho. Quando, nas palavras do Pai Ivo, de Xambá, pessoas “diabolizam as religiões de matriz africana”, o pensamento do Papa para a Igreja e para o mundo pode aliviar muitas dores. “Falo aqui como uma denúncia: nós sofremos, além de intolerância religiosa, um racismo estrutural que precisa acabar”.
Em sua coluna no Diário de Pernambuco, o jornalista Rhaldney Santos registrou o encontro como “admirável”. “Todos falaram, ouviram, se confraternizaram. Ficou o compromisso de novos encontros e maior divulgação da necessidade de respeito e tolerância com as diversas práticas de fé”, disse o jornalista. “Aqui aproprio-me do pensamento ‘a palavra convence, o exemplo arrasta’”, concluiu.
A unidade na diversidade se fez voz ao final do encontro, com todos cantando a Oração de São Francisco. Justa troca de ódio, ofensa e discórdia por amor, perdão e união.
Pascom AOR







