ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE

A Arquidiocese de Olinda e Recife aderiu à campanha “Aposte na Vida”, iniciativa de conscientização sobre os riscos associados às apostas online. O arcebispo de Olinda e Recife, dom Paulo Jackson, uniu-se a dom Ivan Rocha, da Igreja Episcopal Carismática do Brasil, num vídeo que fez um apelo à sociedade para que o crescimento das chamadas bets seja tratado também como uma questão de cuidado com a vida, a saúde e as famílias. Lado a lado, em comunhão, falam os representantes de duas tradições cristãs, unidos, com a mesma responsabilidade de defender a vida, cuidar das famílias e não permanecer em silêncio diante do sofrimento.

No vídeo, que foi divulgado nesta quarta-feira (19), distribuído para a Imprensa e publicado nas redes sociais da Arquidiocese, dom Paulo Jackson destacou que as apostas passaram a fazer parte do cotidiano de muitas pessoas, impulsionadas principalmente pelo acesso através dos celulares, pela presença no futebol, nas redes sociais e pela publicidade. O arcebispo alertou que uma prática inicialmente encarada como diversão pode resultar em perdas financeiras, endividamento, conflitos dentro das famílias e sofrimento.

A campanha também chama atenção para a exposição de crianças e adolescentes a esse ambiente, pedindo o envolvimento de famílias, escolas, clubes, meios de comunicação, lideranças religiosas e do poder público para evitar que as apostas sejam tratadas como algo natural entre os mais jovens.

O alerta da Igreja ocorre em um momento no qual os impactos das apostas sobre a saúde também mobilizam autoridades públicas. O Ministério da Saúde lançou, em julho, uma campanha nacional de prevenção aos danos das apostas online. Segundo a pasta, recursos utilizados pelas plataformas, como notificações, apostas em tempo real e recompensas variáveis, podem estimular a permanência e a repetição das apostas.

O transtorno do jogo é reconhecido como um transtorno de comportamento aditivo. Entre os sinais que merecem atenção estão gastar mais dinheiro ou permanecer apostando por mais tempo do que o planejado, pensar frequentemente em apostas e apresentar mudanças no sono, no humor, na rotina ou nas relações pessoais. O problema pode provocar consequências financeiras, familiares, profissionais e emocionais e estar associado a quadros de ansiedade, depressão, culpa e isolamento social.

Acolhimento em vez de julgamento

Na mensagem da campanha, dom Paulo Jackson também se dirigiu diretamente às pessoas que já enfrentam problemas relacionados às apostas. O arcebispo ressaltou que quem vive essa realidade precisa encontrar acolhimento, orientação e cuidado, e não condenação. Para dom Paulo, procurar ajuda não deve ser encarado como vergonha ou falta de fé. Ele defendeu que as comunidades religiosas estejam preparadas para receber essas pessoas com respeito, discrição, sigilo e sem julgamentos.

Com a campanha “Aposte na Vida”, a Arquidiocese de Olinda e Recife reforça que o enfrentamento aos danos provocados pelas apostas exige participação conjunta da sociedade. A mensagem central é de prevenção, responsabilidade e, principalmente, acolhimento daqueles que já enfrentam dificuldades. “Quando nós escolhemos proteger a vida, começamos a construir um futuro melhor para todos”, afirmou dom Paulo Jackson ao apresentar a campanha.

SUS oferece atendimento para pessoas afetadas pelas apostas

Pessoas que enfrentam dificuldades para controlar as apostas podem buscar ajuda pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O atendimento pode começar nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e, quando necessário, o paciente é encaminhado aos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Além disso, o aplicativo Meu SUS Digital passou a oferecer até 100 mil teleatendimentos mensais para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas, com atendimento remoto, sigiloso e apoio também aos familiares.

Outra medida de proteção é a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, do Ministério da Fazenda, que permite ao cidadão bloquear gratuitamente o próprio acesso às plataformas de apostas autorizadas pelo Governo Federal. A regulamentação brasileira também proíbe a oferta de crédito para apostas, o uso de cartão de crédito e os bônus de entrada, buscando reduzir o risco de endividamento e proteger os apostadores.