ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE

10637916_983603054999207_511443725_nNuma visita cordial e repleta de emoção, o advogado e ex-deputado Antônio Modesto da Silveira acompanhado de membros da Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Camara (CEMVDHC) relatou ao arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido, crimes terríveis ocorridos durante à Ditadura Militar no Brasil, entre os anos (1964 – 1985). Torturas físicas e psicológicas, sequestros, desaparecimentos e mortes. Histórias que até hoje nunca tiveram um ponto final e atormentam familiares de presos políticos. O encontro ocorreu na tarde desta quarta-feira, 29, na Cúria Metropolitana, bairro das Graças, Zona Norte do Recife.

Ele ficou conhecido pelas incontáveis causas jurídicas que defendeu durante esse período. Ele mesmo perdeu as contas. De acordo com o jurista Heleno Fragoso registrou em um livro que Modesto da Silveira foi o advogado que mais defendeu presos políticos. Fato contado por Modesto aos jornalistas durante entrevista e que ele afirmou ter se convencido ser verdade.

Durante o diálogo com o religioso, o advogado citou, além do ex-arcebispo Dom Helder Camara, outros religiosos importantes na luta conta o Regime Militar. Entre eles, Dom Pedro Casaldáliga, Dom Tomás Balduíno e Dom Waldyr Calheiros. Em Dom Saburido as emoções eram paradoxais. Feliz com a iniciativa de Modesto da Silveira em visitá-lo, não escondia a tristeza em ouvir tantos relatos tristes e desumanos. “Como ele disse, ele é uma cachoeira que flui. Modesto tem tantas histórias para contar e tem muito a ver com a realidade vivida no Recife. A gente fica emocionado em saber que muitas famílias ainda sofrem com tudo isso porque não há lucidez nos fatos. Várias delas são privadas do direito de, ao menos visitar o filho no túmulo porque não sabem onde seu corpo possa estar”, lamentou o religioso.

photo.phpModesto revelou ter recebido inúmeras denúncias de pessoas que trabalhavam nos órgãos criados pelo então governo para garantir a ordem desejada e os interesses dos governantes. Aqueles que se colocavam contra as ideias do Regime Militar era preso, torturado ou mesmo assassinado. “Recebi muitos telefonemas e bilhetinhos. Sempre anônimos porque as pessoas tinham medo de serem mortas, caso fossem descobertas. Havia gente de bem também no DOPS (Departamentos de Ordem Política e Social), SOPs (Setores de Operações) e DOI (Destacamento de Operações de Informações), CODI (Centro de Operações de Defesa Interna). Eles trabalhavam lá, mas não concordavam com as ações dos órgãos. Eles denunciavam e tentavam salvar uma vida. Fulano que o senhor está procurando foi sequestrado e levado para outro lugar O senhor já sabe o destino. Levavam para outro lugar para matar com segurança”, disse o advogado.

Sobre o que espera que a Igreja Católica faça, Modesto da Silveira foi categórico e abrangente. “A Igreja é fundamental para a transformação do mundo, na luta pela justiça e pelos Direitos Humanos. Dois mil anos não foram suficientes para os cristãos entenderem o seu papel. Dom Helder não foi único. Ele teve vários colegas que brigaram para defender os mais fracos. Minha esperança de hoje, amanhã e sempre é que não apenas a Igreja, mas a imprensa e cada cidadão que ouve a verdade tome uma postura digna de cidadão digno. Isso que eu espero de você, de mim, do arcebispo e de todos vocês. Você também é responsável por isso”, concluiu.

10743620_983595551666624_2108476258_nDom Fernando Saburido e o presidente da Comissão de Justiça e Paz da arquidiocese, Dom Genival Saraiva, presentearam o advogado com o livro Entrelinhas – Dom Helder Camara, de Carlos Pena Filho. A obra contém poemas do poeta pernambucano com comentários feitos pelo religioso, que enquanto lia o livro que ganhou de presente, escrevia suas considerações.

Audiência – Antônio Modesto da Silveira participa de sessão pública com a Comissão da Memória e Verdade Dom Helder Câmara, nesta quinta-feira, 30 no auditório da Ordem dos Advogados de Pernambuco (OAB/PE), no bairro de Santo Antônio, centro do Recife. O debate tem início às 9h.

 

Da Assessoria de Comunicação AOR