Educação, Trabalho e Diálogo entre as gerações
Este é o tema da mensagem do papa Francisco para o dia 1º de janeiro de 2022. Ele pensa que, no momento atual do mundo, estes três elementos são os pontos a serem mais cuidados para que possamos ter um ano novo de paz e de unidade. Neste 1º de janeiro, a Igreja Católica celebra pela 53ª vez o Dia Mundial da Paz. Foi o papa Paulo VI que iniciou esse costume de consagrar o 1º de janeiro à oração e ao trabalho pela Paz do mundo. Nestas comemorações de ano novo, é preciso que nossos votos de feliz ano novo sejam alicerçados em um compromisso de construção da paz e da justiça eco-social. Por isso, nesta sua nova mensagem para o dia mundial da Paz, o papa afirma: “Em cada época, a paz é conjuntamente dádiva do Alto e fruto de um empenho compartilhado. De fato, há uma «arquitetura» da paz, onde intervêm as várias instituições da sociedade, e existe um «artesanato» da paz, que nos envolve pessoalmente a cada um de nós. Todos podem colaborar para construir um mundo mais pacífico partindo do próprio coração e das relações em família, passando pela sociedade e o meio ambiente até chegar às relações entre os povos e entre os Estados.
Quero propor, aqui, três caminhos para a construção de uma paz duradoura. Primeiro, o diálogo entre as gerações, como base para a realização de projetos compartilhados. Depois, a educação, como fator de liberdade, responsabilidade e desenvolvimento. E, por fim, o trabalho, para uma plena realização da dignidade humana. São três elementos imprescindíveis para tornar «possível a criação de um pacto social», sem o qual se revela inconsistente todo o projeto de paz.
No ano passado, em sua mensagem, o papa Francisco tinha proposto a “cultura do cuidado para erradicar a cultura da indiferença, do descarte e do conflito, que hoje muitas vezes parece prevalecer”. Agora, para 2022, propôs como instrumentos para a construção da paz três eixos fundamentais para a nossa caminhada comunitária e pessoal: “educação, trabalho e diálogo entre as gerações”. A preocupação e o cuidado com esses três elementos sociais são necessários para que tenhamos um tempo de paz e de melhores condições de vida para toda a humanidade.
No mundo atual, apenas duas mil pessoas privilegiadas possuem o mesmo que mais de quatro bilhões de seres humanos. Pelos atuais cálculos da FAO, organização da ONU contra a fome, a cada minuto, ao menos onze pessoas no mundo podem morrer de fome. Ao mesmo tempo, o mundo afunda em uma crise ambiental cada vez mais profunda e ainda não parece libertar-se agora da pandemia. Isso sem falar na tragédia das migrações. Em meio a essa realidade, na última década, em todos os continentes, os governos duplicam suas despesas militares. Em meio a tudo isso, o agravamento da crise ecológica provoca sempre mais desastres naturais e são sempre as populações mais pobres as mais atingidas.
Nestes dias, a celebração do Natal de Jesus nos lembra que a salvação da humanidade vem das periferias do mundo e da pequenez de um presépio. É preciso que nos solidarizemos às lutas e às dores de toda a humanidade para que essa proposta do papa possa ser construída a partir das bases e, mesmo no meio das contradições e dificuldades de cada dia, possamos contemplar a ação divina nos inspirando e nos dando força para construirmos um ano de mais justiça social e Paz.
Feliz ano novo!
Dom Antônio Fernando Saburido, OSB
Arcebispo de Olinda e Recife








