O bispo auxiliar da Arquidiocese de Olinda e Recife, e presidente da Comissão Regional Pastoral para a Ação Sociotransformadora da CNBB NE2, dom Limacêdo Antonio da Silva, emitiu nota expressando solidariedade às vítimas do novo coronavírus, em especial, aos que estão no Amazonas.

No texto, o bispo destaca a contradição de no chamado “pulmão da Terra” faltar exatamente oxigênio para os doentes. Ao elencar os últimos episódios da pandemia de Covid-19, dom Limacêdo lança luz sobre os equívocos das gestões públicas que levaram a falta de cuidado com as pessoas.
“O negacionismo, a improvisação, a desinformação, a falta de bom senso são algumas das causas desse cenário, cujo panelaço ocorrido nessa última sexta-feira sinaliza o descontentamento com a condução de nosso país”, diz o prelado.
Dom Limacêdo também salienta a esperança com o início do processo de imunização dos brasileiros. Com as palavras inspiradoras do Papa Francisco, o religioso ainda recorda a importância da “cultura do cuidado como percurso de paz” e expressa solidariedade aos pastores e às ovelhas do Norte do Brasil.
Leia a nota na íntegra:
“NO PULMÃO DA TERRA, O
BRASIL ESTÁ SEM AR”
É triste constatar que, “no pulmão da terra, o
Brasil está sem ar”, como constatou o Editorial do Jornal do Commercio do dia
16.01.2021. Maior contradição não poderia haver neste momento tão trágico do
mundo, onde já morreram devido à Covid-19, mais de dois milhões de pessoas,
sendo dessas mais de duzentos mil só no Brasil. Perdemos apenas para os Estados
Unidos. Ao lado desses dados, nos assusta a notícia de variantes encontradas na
Inglaterra, no Japão, na África do Sul e no Brasil (na Região Amazônica).
A falta de respiradores na capital do Amazonas,
que tanto sofreu na primeira onda desse mal, escandaliza a qualquer ser humano
de modo particular quando, de um lado, se sabe que as autoridades
governamentais foram informadas da precariedade das condições para o
enfrentamento da doença; de outro lado que, três semanas antes do colapso, foi
elevado o imposto de importação (16%) no valor de cilindros usados para o
armazenamento de gases medicinais que estavam isentos desde março de 2020 para
facilitar a logística de combate à Covid-19.
De Manaus, 235 pacientes estão sendo transferidos
para sete estados: Piauí, Maranhão, Goiás, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba
e Pernambuco, mais o Distrito Federal. A taxa de mortalidade naquele estado é
de 143 por mil habitantes, sendo uma das três mais altas das 27 unidades
federativas do nosso país. O temor toma conta da região e faz tremer a
população. Segundo o diretor de emergência da Organização Mundial da Saúde
(OMS), Michael Ryan: “a atual onda de coronavírus no estado da Amazonas é pior
do que a sofrida na região entre abril e maio, e o sistema de saúde corre o
risco de implodir”.
A cidade do Recife recebeu o avião que deveria
viajar rumo a Mumbai, na Índia, onde ocorrerá a maior campanha de vacinação do
mundo, a fim de buscar dois milhões de dose da vacina da
AstraZeneca/Oxford/Fiocruz contra a Covid-19. Infelizmente acordamos do sonho
quando estava tudo pronto para que o mesmo pudesse decolar. Assim, assistimos
ao fracasso da compra da vacina que poderia iniciar o processo de imunização em
nosso país.
O negacionismo, a improvisação, a desinformação, a
falta de bom senso são algumas das causas desse cenário, cujo panelaço ocorrido
nessa última sexta-feira sinaliza o descontentamento com a condução de nosso
país dentre tantas questões, aquela da saúde pública, um dos pilares de uma
nação humana, racional, democrática e em defesa da vida. Louvemos a Deus
porque, finalmente, o Brasil deu início ao processo de vacinação com o
imunizante Coronavac, produzido pela chinesa Sinovac em parceria com o
Instituto Butantã, em São Paulo.
O Papa Francisco, profeta de nossos tempos, levou
a Igreja, com o Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia, a colocar a vida do planeta
no centro de sua reflexão e abriu o debate para a humanidade inteira sobre o
seu futuro. Chamou-a de “’querida” e partilhou seus quatro sonhos: social,
cultural, ecológico e eclesial. Não bastasse isso, convidou-nos, no primeiro
dia deste ano, Dia Mundial da Paz, a abraçarmos a categoria e a prática da
“cultura do cuidado como percurso de paz”!
Daí, desejo em nome da Comissão
Sociotransformadora do Regional Nordeste II da CNBB, apresentar nossa
solidariedade às populações e aos pastores do norte do Brasil, nesse momento
tão desafiador ao anúncio do Evangelho. “Não deixem que vos tirem a esperança”
(Papa Francisco).
Recife, 18 de janeiro de 2021
Dom
Limacêdo Antonio da Silva
Bispo
Auxiliar de Olinda e Recife
Referencial para a Comissão
Regional Pastoral para a Ação Sociotransformadora.
Fonte: CNBB NE2







