Poderia ser uma visita como outras que fez, mas neste 24 de dezembro, véspera de Natal, o reitor do Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora da Graça, padre João Bosco Costa Lima, visitou a Ir. Maria Freire, no bairro da Várzea, para felicitá-la por seus 100 anos de vida. A Ir. Freire, religiosa salesiana, foi catequista de padre Bosco nos idos de 1976 e 1977, em Carpina, cidade onde o padre nasceu.

Não fosse um ano pandêmico, cheio de restrições, certamente muitos outros amigos teriam ido abraçá-la. A Irmã Maria Freire é uma Filha de Maria Auxiliadora que fez muitos amigos e admiradores ao longo da vida. Nascida no povoado de Boa Vista, em Salgueiro, iniciou sua formação religiosa aos 20 anos como postulante em Petrolina, veio na carroceria de um caminhão fazer o noviciado um ano depois em Recife e aos 25 anos realizou o sonho de tornar-se, afinal, FMA, integrante da grande Família Salesiana.

Padre Bosco lembra que uma das atividades realizadas pela irmã no Juvenato Maria Auxiliadora, em Carpina, onde ela trabalhou por 45 anos, era a jardinagem. Como registra um texto constante nos arquivos das irmãs salesianas, Ir. Freire “transformou o jardim do Juvenato num pedacinho do céu”. Por conta da idade, em 2016 foi levada a fazer parte da comunidade Madre Rosetta, no Recife, onde moram as irmãs idosas ou em tratamento de saúde.

“Estive com Ir. Freire no dia 24, tem uma lucidez admirável. Conversamos muito e ela, com sua experiência e sabedoria, me deu três conselhos: ‘Seja sempre de Jesus, não deixe de buscar Jesus na Eucaristia e ame as pessoas, especialmente os pobres’. Falou-me de sua alegria em ser religiosa, recordou com riqueza de detalhes como foi seu ingresso na congregação, o sacrifício que foi nessa época”, contou o padre Bosco. “E me deixou muito feliz ao dizer que, todos os dias, reza pelos padres”.
Durante a visita, padre e religiosa conversaram sobre o tempo da catequese em Carpina, sobre a época em que ela foi ministra extraordinária da Eucaristia na paróquia e fazia parte do Movimento Encontro de Irmãos, em Carpina. “Eu sou fruto do Encontro de Irmãos, de quem ela era grande conselheira”, disse o padre.

A comunidade Madre Rosetta celebrou os 100 anos de Ir. Freire com a simplicidade imposta pela pandemia. Humilde como é, a religiosa até preferiu a discrição do momento, apesar da imensa gratidão pela caminhada. Ao ser perguntada sobre o que pensa do amanhã, respondeu: “Eu penso no hoje”, com a certeza de que com sua vocação realiza, aqui e agora, o Reino de Deus.
Padre Bosco deu seu testemunho muito feliz. “Partilhar esse momento dos 100 anos com minha querida catequista foi uma maravilha! Ela me fez perguntas sobre o catecismo da Igreja, acredita? Ir. Freire é presente de Deus em minha vida e na vida de tantas pessoas”, disse padre Bosco.

A provincial da Inspetoria Maria Auxiliadora, do Nordeste, Ir. Adriana Gomes, foi até a Casa Madre Rosetta cumprimentar a aniversariante, levar flores e celebrar a data com a comunidade. “Ir. Freire foi sempre referência, por seu testemunho de uma vida simples, alegre e doada ao Senhor, comprometida com a vida religiosa salesiana, especialmente com a vida de oração e o olhar atento aos jovens mais empobrecidos”, disse a provincial. “Que seu exemplo nos motive a uma vida que busca sempre o Senhor!”, concluiu.
Pascom AOR







