
O Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Olinda e Recife, dom Limacêdo Antonio da Silva e a equipe da Pastoral Carcerária arquidiocesana realizaram na tarde de ontem,11/06, visita pastoral ao Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, na Região Metropolitana do Recife. A visita pastoral ao presídio teve por objetivo conhecer uma das doze unidades prisionais que se encontram no território da Arquidiocese. O diretor do Cotel, Islan Honorato dos Santos, recebeu dom Limacêdo e membros da Pastoral Carcerária. O gestor informou que a unidade tem capacidade para abrigar 943 detentos, mas no momento, a população carcerária é de 3.283 homens. No decorrer da visita, dom Limacêdo conheceu os pavilhões do Cotel, a cozinha, a padaria, a academia de musculação, oficinas de refrigeração, as celas do isolamento e da espera. Acompanhado pela Pastoral Carcerária, o bispo auxiliar rezou e cantou junto com os presidiários. Usando uma linguagem simples, dom Limacêdo lembrou aos detentos, em sua maioria jovens com idade inferior a 25 anos, que é preciso se preparar para viver os momentos futuros contemplando a cruz de Cristo. “Aproveitem para ler e meditar trechos da Bíblia com os seus companheiros de cela. Antes da leitura, invoquem o Espírito Santo e vocês verão que a Sagrada Escritura vai ajuda-los a se fortalecer neste processo”, sugeriu.

Conforme explicou Lenilson Freitas, coordenador da Pastoral Carcerária da Arquidiocese, são encaminhados ao Cotel os jovens e adultos do sexo masculino que cometem delitos na Zona Norte da capital. A proposta inicial do Cotel seria tornar-se um centro de internação provisória, para fazer a triagem das pessoas que cometessem delitos, mas com o aumento da criminalidade e a superlotação nos presídios, o Cotel vem adquirindo características de penitenciária. Vale esclarecer a diferença entre o presídio e a penitenciária. Presídio é um local para presos temporários que respondem processos. Quando a sentença de condenação é determinada, eles são transferidos para uma penitenciária, local onde vão cumprir a pena. Em outras palavras, na teoria, no presídio estão detidos aqueles que esperam por julgamento, enquanto na penitenciaria ficam detidos os condenados ao regime fechado.


Mesmo diante dos desafios decorrentes da superlotação na unidade, o diretor do Cotel informou que ele e a sua equipe da Unidade procuram contribuir para o tratamento humanizado e acomodam os detentos com dignidade e permite que eles durmam à noite em locais como o refeitório e quadra de esportes, uma vez que nas celas não seria possível acomodar a todos. Para a irmã Aurieta Xenofonte, uma das coordenadoras da Pastoral Carcerária, uma das soluções para combater a superlotação nos presídios do Recife seria empregar a mão de obra dos detentos, que muitas vezes passam por qualificação profissional nos presídios, em serviços e obras como pinturas, reparos e reformas e construções de prédios e equipamentos públicos, como escolas, hospitais e parques. Neste sistema, os detentos teriam parte da pena abatida pelos dias trabalhados e o processo de ressocialização poderia agregar experiência profissional aos detentos, preparando-os para o mercado de trabalho e ainda contribuiria na redução de custos para a Administração Pública. No caso do Cotel, há ainda os detentos que receberam formação profissional nas áreas de refrigeração, panificação e culinária e atuam na própria Unidade prisional. Para o segundo semestre deste ano, estão programadas visitas pastorais a presídios até o mês de novembro.

(Pascom Arquidiocese)







