Católicos, ortodoxos da Síria, luteranos, anglicanos, batistas da aliança, espíritas, religiosos de matriz africana, budistas, judeus, muçulmanos… É possível sonhar com uma sociedade permeada pela tolerância entre as crenças religiosas? A Comissão Arquidiocesana de Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso, existente há cinco anos na Arquidiocese, aposta na via do diálogo como um elo inicial de uma corrente capaz de estreitar os laços de respeito entre as diversas denominações religiosas existentes no território do Recife e região metropolitana. Neste sentido, na manhã desta sexta-feira, 22/09, a aconteceu na Arquidiocese de Olinda e Recife a reunião do Fórum Diálogos – Fórum da Diversidade Religiosa em Pernambuco, iniciativa criada pela Comissão de Justiça e Direitos Humanos da Capital do Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Os encontros do Fórum Diálogos são realizados mensalmente, sediados alternadamente em locais que representam a espiritualidade de cada representante, com o propósito de fortalecer as relações de respeito entre as religiões e discutir soluções para reduzir a intolerância e o preconceito.
Além de promover a troca de experiências entre os seus membros, o encontro deste mês convidou para os próximos eventos do semestre: a Caminhada dos Terreiros (1° de novembro, no Pátio do Carmo) e a plenária dentro do Congresso de Atualização da Reforma Protestante (09/11, 14h, na Unicap). Floridalva Cavalcanti, do Centro de Estudos Budista Bodisatva, lembrou que após o debate Laicidade, política e diversidade religiosa, os congressistas vão participar de uma grande celebração transreligiosa na Unicap. O coordenador da Comissão Arquidiocesana de Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso, padre Fábio Santos, explicou que em maio deste ano, foi refundada na Arquidiocese a Comissão de Justiça e Paz para a promoção dos Direitos Humanos. Padre Fábio lembrou ainda que nos dias 27 e 28/10, a Unicap realizará um fórum de Direitos Humanos. “É notável o crescimento da intolerância religiosa. É preciso expandir os diálogos em sociedade”, salientou Westei Conde, promotor de justiça do MPPE.
Após o relato do Pai Edson de Omulu, da Tenda de Umbanda Caboclo Flecheiro, que narrou ter sofrido preconceito da parte de um vizinho, certa vez, alegando que as práticas do terreiro emitiam “sons diferentes”, a capitão Lúcia Helena Salgueiro, coordenadora do Grupo de Trabalho Racismo da Polícia Militar de Pernambuco, confirmou que é necessário que as instituições invistam em formação específica a fim de pacificar os conflitos religiosos. “Quando há esclarecimento sobre as leis que protegem os cultos e a liberdade religiosa, as situações se harmonizam mais facilmente”, acrescentou o Pai Edson de Omulu, que pretende instalar um banner explicativo das leis de liberdade de culto, na entrada de seu terreiro. “É necessário diferenciar o som que é feito pelo sagrado do som que é feito pelo profano. E esta sensibilidade só se alcança com formação e a educação”, concluiu a capitão Lúcia Helena.
Compareceram à reunião ordinária os seguintes representantes do Fórum Diálogos: Floridalva Cavalcanti (Centro de Estudos Budista Bodisatva), Capitão Lúcia Helena Salgueiro (Coordenadora do Grupo de Trabalho Racismo da Polícia Militar de Pernambuco), Rafael Vilaça (Igreja Episcopal Anglicana), Geraldo Batista de Araújo (mestrando em Ciências da Religião/Unicap), André Monte (Associação Taoísta do Brasil), Janilda Bastos (Fé Bahá’í), Carlos Beethovne Melo (Igreja Ortodoxa Síria de Antioquia), Vânia Besse (Religião de Deus/ Legião da Boa Vontade) e Edson de Araújo Nunes (Tenda de Umbanda Caboclo Flecheiro). Demonstrando sintonia e respeito, como de costume, ao término do encontro, os membros presentes participaram de uma prece, conduzida pelo “anfitrião”, no caso, o padre Fábio Santos.
Criado em 2012, o Fórum da Diversidade Religiosa em Pernambuco, Diálogos, tem perspectiva ecumênica e participação democrática com membros da sociedade civil e entidades religiosas. Entre os objetivos do Fórum, estão a troca e conhecimento mútuo entre as distintas religiões. Atualmente, participam do Diálogos as lideranças religiosas: Budismo Tibetano, Candomblé, Exército de Salvação, Espiritismo, Fé Bahá’Í, Hare Krishna, Igreja Anglicana, Igreja Católica Romana, Igreja Tenrikyo, Islamismo, Jurema, Religião de Deus, Umbanda, MovPaz e outras associações leigas ou religiosas; e simpatizantes.
A Comissão para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso existe há cinco anos, com o intuito de unir esforços para que a dimensão ecumênica de todas as ações pastorais e a abertura para o diálogo com as outras religiões se realize em favor da vida e dos sofredores. Sua missão é promover a aproximação entre os cristãos da Igreja Católica na Arquidiocese; promover diálogo e ações em comum com as igrejas de denominações cristãs e seus membros (ecumenismo); e promover o relacionamento com diversas religiões não cristãs (diálogo inter-religioso), vivendo com elas a comunhão fraterna.
(Pascom Arquidiocese)







