ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE

Dezoito anos se passaram, desde a partida de dom Helder Camara, um arcebispo que foi incansável lutador pela dignidade dos mais pobres, por todas as cidades onde atuou. Em pleno século 21, as sombras do fantasma da fome e da desigualdade social voltam a rondar as populações excluídas. É o legado de solidariedade deixado por dom Helder que mantém acesa a esperança de seus seguidores e admiradores. No próximo domingo, 27/08, às 9h, a Arquidiocese de Olinda e Recife celebrará missa pelos 18 anos do falecimento de dom Helder Camara, arcebispo emérito, na catedral da Sé, em Olinda. Dom Fernando Saburido, arcebispo de Olinda e Recife, presidirá a santa eucaristia. Na mesma data, às 11h, na igreja Nossa Senhora da Assunção das Fronteiras da Estância de Henrique Dias (igreja das Fronteiras), Derby, moradia do saudoso arcebispo emérito por mais de 30 anos, também será celebrada missa, presidida pelo padre José Augusto Esteves. Segundo informações do Idhec (Instituto dom Helder Camara), a chamada “Missa dos Romeiros”, formada por integrantes de uma peregrinação vinda do Ceará encerram a sua visita ao “chão de dom Helder” nesta missa celebrada na igreja das Fronteiras, que em 2017 chega a sua 14ª edição.  Por sua atuação fraterna em favor dos pobres,  desde 2015 a Arquidiocese de Olinda e Recife deu início ao processo de beatificação de dom Helder.     

Dom Helder Camara (1909-1999) foi arcebispo emérito de Olinda e Recife por 20 anos e ficou conhecido internacionalmente pela defesa dos direitos humanos. Recebeu diversos prêmios, entre eles, o Prêmio Martin Luther King, nos Estados Unidos e o Prêmio Popular da Paz, na Noruega.

Nascido em Fortaleza, Ceará, em 07/02/1909, filho de João Eduardo Torres Camara Filho, jornalista e guarda-livros, e da professora primária, Adelaide Pessoa Camara, o adolescente Helder aos 14 anos de idade entrou no Seminário de São José, em Fortaleza, dirigido pelos padres Lazaristas, onde também cursou Filosofia e Teologia. Em 15 de agosto de 1931, com 22 anos de idade, o jovem Helder foi ordenado sacerdote, com a autorização da Santa Sé, pois não completara a idade mínima para ordenação, que era de 24 anos. Em 1936, foi transferido para a Arquidiocese do Rio de Janeiro. Graças à sua experiência pastoral, o papa Pio XII nomeou o então padre Helder bispo auxiliar da arquidiocese, tendo sido sagrado bispo em 20/04/1952. Foi um dos organizadores da Ação Católica que atuava junto às pessoas carentes e em 1950 apresentou seu plano ao Monsenhor Montini (que viria a ser o papa Paulo VI) para criar a CNBB, que foi fundada em 14/10/1952. Dom Helder participou ativamente da fundação e da organização da CNBB, atuando como Secretário Geral no período de 1952 a 1964. Iniciou a criação e organização do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), em 1955. No mesmo ano, articulou a “Cruzada de São Sebastião”, uma promoção em favor dos marginalizados e sem-teto da capital fluminense. Em 1956, como Secretário Geral da CNBB, organizou o 1º Encontro dos Bispos do Nordeste, que contou com a participação de renomados economistas, técnicos e integrantes dos governos federal e estaduais. Ao término do encontro, os bispos reunidos declararam a sua solidariedade com as camadas mais pobres da região, propiciando a criação da Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste), com sede no Recife, no ano de 1959. Foi Assistente da Ação Católica Brasileira e participou da criação do MEB (Movimento de Educação de Base), para a erradicação do analfabetismo no país e a sua integração sociopolítica. De 1962 a 1965, dom Helder participou intensamente, em Roma, do Concílio Vaticano II. Foi nomeado arcebispo de Olinda e Recife, pelo papa Paulo VI, em 12/03/1964. Em 1968, dom Helder instalou o Instituto de Teologia do Recife (ITER) e passou a residir numa modesta dependência atrás da igreja das Fronteiras.   
Em 1962, participou das reformas de base do governo João Goulart. Além das atividades pastorais de sua Arquidiocese, atuou em movimentos estudantis, operários e ligas comunitárias contra a fome e a miséria. Teve significativa participação contra o autoritarismo praticado pelos militares. Após escrever um manifesto de apoio à ação católica operária, foi acusado de comunismo, sendo proibido de se manifestar publicamente.

Em 1969, recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Saint Louis, nos Estados Unidos. No mesmo ano, organizou uma grande semana de evangelização, da qual surgiu o movimento Encontro de Irmãos, para a evangelização dos pobres, moradores das periferias das cidades de Recife e Olinda. Os grupos de oração foram as sementes das futuras Comunidades Eclesiais de Base. Criou a Comissão de Justiça e Paz, para trabalhar na defesa dos direitos humanos, especialmente dos marginalizados. Dom Helder deu apoio à Ação Católica Operária, criou o Banco da Providência no Recife e desenvolveu a Operação Esperança, que na área rural, apoiou posseiros das terras, compradas com os prêmios internacionais, e distribuídos aos necessitados.  Em 1970, em um pronunciamento em Paris, Dom Helder denunciou a prática de tortura e a situação dos presos políticos no Brasil. Em 1972, foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz.  
Dom Helder Camara criou organizações pastorais em prol da valorização dos pobres, criou projetos para atender as comunidades do Nordeste, que viviam em situação de miséria. Recebia apoio e convites para proferir palestras, presidiar ou receber homenagens das universidades brasileiras e instituições internacionais.   

Publicou 23 livros, sendo 19 deles traduzidos para 16 idiomas. Recebeu 30 títulos de Cidadão Honorário, 28 de cidades brasileiras, um da cidade de São Nicolau, na Suíça, em 1985, e outro em 1987, de Rocamadour, na França. Ao todo foram 716 títulos de homenagens e condecorações.

Em 1985, dom Helder deixou a arquidiocese, aos 76 anos, em decorrência de ter cumprido a idade regulamentar para a aposentadoria episcopal. Em 1991, iniciou um movimento contra a fome. No final da década de 90, com o apoio de diversas instituições filantrópicas, lançou oficialmente a campanha “Ano 2000 Sem Miséria”. Dom Helder Camara faleceu no Recife, em 27 de agosto de 1999, de parada cardíaca e foi sepultado na catedral da Sé, em Olinda.

Processo de beatificação – Conhecido também como “Dom da Paz” e “irmão dos pobres”, dom Helder possuía notável habilidade com a oratória e reunia multidões nas missas e conferências, atraindo a atenção principalmente da juventude católica.  Seu processo de Beatificação e Canonização foi aberto em 03/05/2015. Atualmente, a Causa encontra-se na Fase Diocesana, em que o Tribunal Eclesiástico está escutando as testemunhas e as comissões histórica e teológica estão preparando seus pareceres e relatórios. Espera-se que, em breve, os trabalhos sejam concluídos na Arquidiocese e o Postulador Frei Jociel Gomes, OFMCap., possa entregar toda documentação ao Vaticano.

Memorial dom Helder Camara – Desde 2013, funciona no andar superior da igreja das Fronteiras uma exposição permanente do acervo pessoal de dom Helder. O visitante ainda pode assistir a filmes ou ouvir a voz do Dom, no programa de rádio Um Olhar sobre a Cidade, em sistema ininterrupto de vídeo e áudio. Foram catalogadas 920 peças do acervo de Dom Helder e 200 peças estão na exposição. A exposição pode ser visitada de segunda a sexta-feira, das 14h às 17h, incluindo uma visita guiada por todo o Memorial.

Serviço:

27/08 (9h) – Missa em memória aos 18 anos de falecimento de dom Helder, presidida pelo arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, na catedral da Sé, em Olinda.

27/08 (11h) – Missa em memória aos 18 anos de falecimento de dom Helder, na Igreja das Fronteiras (Igreja Nossa Senhora da Assunção das Fronteiras da Estância de Henrique Dias)
Rua das Fronteiras, S/N, Boa Vista, Recife. Fone: (81)3231-5341

Oração para pedir a Deus a Beatificação e Canonização de dom Helder Camara e alcançar graças por sua intercessão:

 “Ó Deus de amor e misericórdia, que destes à Igreja o bispo dom Helder Camara, nós vos agradecemos pelo dom de sua vida e vos bendizemos por suas virtudes. Exercendo o seu ministério em favor da justiça e da paz e dedicando sua missão à causa dos pobres, imitou o Bom Pastor que deu a vida por suas ovelhas. Vós que prometestes glorificar aqueles que vos servirem, dignai-vos glorificá-lo com a honra dos altares e, por sua intercessão, dai-nos a graça que vos suplicamos (menciona-se a graça em silêncio). Fazei que, seguindo o seu exemplo, possamos testemunhar o vosso amor e a vossa misericórdia, junto aos nossos irmãos e às nossas irmãs. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!

Pai Nosso, Ave Maria e Glória ao Pai.

 

Com aprovação eclesiástica

 

Observação: Esta oração é para uso pessoal e particular. Em nada se pretende antecipar à autoridade da Igreja, à qual, unicamente, compete pronunciar-se sobre a santidade de dom Helder.   

 

Graças alcançadas sejam comunicadas ao: Postulador da Causa de dom Helder, frei Jociel Gomes. e-mail: jjcordel@gmail.com

Palácio dos Manguinhos, Av. Rui Barbosa, 409, Graças, CEP 52.011-400, Recife/PE

(Pascom Arquidiocese)