ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE

Na manhã desta quinta-feira, 25/05, a igreja de São José dos Manguinhos, nas Graças, região central do Recife, foi o cenário de um momento histórico para a Arquidiocese de Olinda e Recife: a refundação da Comissão de Justiça e Paz arquidiocesana. Originariamente criada por dom Helder Camara, a CJP foi extinta em 1985. A refundação, como está sendo chamada a retomada dos trabalhos, é um sonho antigo do arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, que se concretiza hoje. Compareceram à solenidade de refundação antigos colaboradores, seguidores e amigos de dom Helder, testemunhas vivas de um período em que o Brasil não pode esquecer. A Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese renasce para promover os direitos humanos (direitos sociais, civis e políticos, assim como os direitos econômicos, culturais e ambientais), à luz da doutrina social da Igreja. A memória do padre Antônio Henrique, assassinado há 48 anos atrás, também foi lembrada no ato.

A solenidade de refundação foi aberta pelo padre Fábio Santos, assessor da comissão de Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso da Arquidiocese e membro da nova Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese. Em sua acolhida à assembleia, padre Fábio citou trechos da canção O Profeta, para expressar o momento da refundação: “Como calar, se Tua voz arde em meu peito?”. Segundo padre Fábio Santos, um dos objetivos da CJP é ser a voz laica da igreja.Compuseram a mesa as seguintes autoridades: dom Fernando Saburido, dom Antônio Tourinho Neto, bispo auxiliar da Arquidiocese, Ronnie Duarte, presidente da OAB/PE, Francisco Sales, procurador da Justiça do Ministério Público de Pernambuco, Lucinha Moreira, integrante do Instituto Dom Helder Camara (Idhec) e Antônio Carlos Maranhão, diretor do Idhec e Roberto Franca, secretário estadual de Desenvolvimento Social. 

Também compareceram ao momento de refundação o reitor da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), padre Pedro Rubens, o Cônego Edvaldo Gomes, pároco da paróquia de Casa Forte, representantes de movimentos sociais, de pastorais da igreja, demais membros do clero e representantes de outras denominações religiosas.

 

 

Representando o Governo do Estado de Pernambuco, Roberto Franca, que atuou como membro da Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Camara, explicou que foi ex-aluno do saudoso padre Henrique, no colégio Nóbrega, e fez uma breve explanação sobre a biografia do padre assassinado e encontrado morto com sinais de tortura, há 48 anos atrás, no ano 1969, durante o período do Regime Militar. Conhecido por sua grande solidariedade para com os perseguidos e presos políticos, o padre Henrique exercia grande influência junto à juventude católica recifense e era ligado diretamente a dom Helder Camara, então arcebispo de Olinda e Recife. “Com esta refundação da Comissão de Justiça e Paz, o desafio agora é acolher o diálogo e evitar radicalismo”, ressaltou Franca.

O prof. Antônio Carlos Maranhão, diretor do Instituto Dom Helder Camara (Idhec), integrante da Comissão de Justiça e Paz Nacional e presidente da nova Comissão de Justiça e Paz fez um histórico da atuação da CJP. Em sua juventude, Antônio Carlos fez parte da Comissão de Justiça e Paz, no episcopado de dom Helder.  “No período de 1974 a 1979, os veículos de comunicação eram proibidos de publicar o nome e imagens de dom Helder Camara.  Foi decretada a morte civil de dom Helder, o morto mais vivo que se tem notícia na história”, relembrou. “A nova Comissão de Justiça e Paz arquidiocesana pretende levar suas ações aos 19 municípios que compõem a Arquidiocese”. Vamos trabalhar com os movimentos populares e sociais, camponeses, trabalhadores, pessoas feridas em sua dignidade. De acordo com Antônio Carlos Maranhão, o foco da comissão será articular o trabalho em rede junto aos organismos garantidores dos direitos humanos, em parceria com o poder público, com a sociedade civil organizada, para que os direitos humanos sejam garantidos e caso sejam violados, possam ser reparados na circunscrição da Arquidiocese de Olinda e Recife.  “Há momentos em que não é lícito calar, quaisquer que sejam as consequências”, concluiu o professor.   

Atento aos clamores do tempo atual, dom Fernando Saburido destacou que é preciso manter sempre aberto o diálogo, em sintonia com a doutrina social da Igreja, para que a Comissão de Justiça e Paz cumpra o seu papel profético. Em seguida, o arcebispo metropolitano convidou o padre Moisés Ferreira, secretário arquidiocesano, a ler a ata da refundação e apresentou os membros componentes da nova Comissão de Justiça e Paz à assembleia. Dom Fernando assinou a ata da refundação e agradeceu aos presentes pela participação. 
Histórico sobre Dom Helder Camara -Conhecido como “Dom da Paz”, dom Helder Camara foi um dos fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e um grande defensor dos direitos humanos durante o regime militar no Brasil. Pregava uma Igreja simples, voltada para os pobres e para a não-violência. Por sua atuação destemida e profética, dom Helder recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais e foi o brasileiro por mais vezes indicado ao prêmio Nobel da Paz, com quatro indicações.

A Comissão de Justiça e Paz refundada terá sede na Arquidiocese de Olinda e Recife e está vinculada à Comissão Arquidiocesana de Pastoral para a Caridade, a Justiça e a Paz (Pastorais Sociais). Informações: (81) 3271-4270 (ramal 244)

Clique aqui para ver a íntegra do Decreto que estabelece a refundação da Comissão de Justiça e Paz