A Catedral da Sé, em Olinda, recebeu neste domingo (26) parentes, amigos, autoridades e fiéis para o velório e a missa de corpo presente do arcebispo emérito da Paraíba, dom Marcelo Pinto Carvalheira. O oblato beneditino faleceu na noite do último sábado (25), no Recife, aos 88 anos, vítima de complicações dos males de Parkinson e Alzheimer.
Após algumas horas de velório, o caixão com o corpo de dom Marcelo Carvalheira foi colocado no chão, seguindo os rituais católicos, para o início da missa de corpo presente. A celebração foi presidida pelo arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, e concelebrada por bispos e padres que, como ele, conheciam e admiravam o arcebispo emérito da Paraíba.
“Dom Marcelo fez parte do clero da nossa Arquidiocese, igreja que o preparou, e aqui foi grande formador e
pregador, mas sobretudo um grande profeta de palavras corajosas, sempre pronto para dizer a verdade”, comentou dom Fernando Saburido. “Ele escolheu a igreja para o ministério sacerdotal e a igreja o escolheu para o ministério episcopal, por isso peçamos a intercessão de dom Marcelo Carvalheira para que sejamos, de fato, uma igreja libertadora, em saída, que dispensa privilégios e deseja estar ao lado dos mais necessitados”, completou o arcebispo.
Pernambucano de Recife, dom Marcelo foi um dos grandes colaboradores de dom Helder Camara durante a ditadura militar no Brasil, tendo sido, inclusive, preso e torturado, na defesa dos líderes católicos da época. De 1998 a 2004, ocupou a vice-presidência da CNBB. Teve livros publicados, morava em Olinda, mas no último ano se mudou para o Recife, para ser acompanhado mais de perto pela família.
Na Catedral da Sé, a família de dom Marcelo Carvalheira foi cumprimentada pelo chefe da Casa Civil de Pernambuco, Antônio Carlos Figueira, representando o governador 
Paulo Câmara, e pelo secretário estadual de Justiça e Direitos Humanos, Pedro Eurico. Das autoridades aos fiéis mais simples, fica a lembrança de um homem que viveu o Evangelho e, pelo próximo, se engajou nas questões sociais. Dom Marcelo, será, para sempre, o Dom da Ternura.
Amiga da família e ministra da Eucaristia, Lúcia Barros Lima Santos levava a comunhão até dom Marcelo em sua residência. Segundo a ministra, “seu olhar dizia tudo: ele amava Jesus, era doce, era um homem santo”, disse emocionada.
Para o bispo emérito de Maceió, dom Edvaldo Amaral, um dos concelebrantes da missa, a vida de dom Marcelo foi um exemplo
de dinamismo e de acolhida ao irmão. “Ele foi humilde, compreendeu a mensagem do Cristo e a viveu junto aos mais pobres, injustiçados e perseguidos, e por isso foi algemado, preso e torturado – uma atrocidade, um erro cometido contra um homem santo”, comentou em tom de indignação.
Após a missa, o corpo de dom Marcelo Carvalheira seguiu para Guarabira, na Paraíba, onde haverá missa de hora em hora, noite adentro, a fim de que toda a população possa participar da despedida ao arcebispo emérito. Às 6h da segunda-feira (27), o corpo seguirá para a Catedral de João Pessoa. Lá, haverá missa de corpo presente às 16h, e em seguida o corpo será sepultado na própria catedral.
Pascom AOR








