ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE

Artigo da páscoa. Dom Bruno

Na Oitava de Páscoa, também chamada de Segundo Domingo da Páscoa, celebramos por instituição de São João Paulo II, a festa da Divina Misericórdia, isto porque tanto na oração do dia como no salmo 117 enfatiza-se a misericórdia de Deus para com a humanidade e que, agora, realiza-se plenamente pela ressurreição gloriosa de seu filho, a fim de que sejamos, também, MISERICORDIOSOS COMO O PAI.

     Apresentaremos os domingos da Páscoa seguindo a divisão do Ano C, visto ser este que estamos vivenciando na Sagrada Liturgia de 2016.

   No terceiro ciclo de leituras dos domingos de Páscoa encontramos no segundo domingo, assim como outros, textos dos Atos dos Apóstolos; dessa vez com a narrativa dos primeiros dias após a ressurreição do Senhor: os cristãos cresciam em número, transportavam para as praças os doentes a fim de que mesmo a sombra de Pedro passando por eles pudesse curá-los. E todos ficavam bons de seus males. Na segunda leitura o primeiro capítulo do Apocalipse de São João, que mostra a visão de Jesus ressuscitado por trás dos sete candelabros de ouro, trajando veste branca com faixa, também, de ouro em volta do peito e, o próprio Jesus glorioso afirma: “Não tenhas medo. Eu sou o Primeiro e o Último, aquele que vive. Estive morto, mas agora estou vivo para sempre. Eu tenho a chave da morte e da região dos mortos” (Ap 1,17b-18). O evangelho, desse domingo, é sempre a cena de Tomé, pois somente no oitavo dia é que Tomé pôde tocar nas chagas gloriosas e contemplar a glória de Jesus Ressuscitado que nos diz sermos nós mais felizes porque não vemos com os nossos sentidos, mas cremos.

             O domingo seguinte, o terceiro, continua o texto dos Atos dos Apóstolos, agora o capítulo 5 que mostra os Apóstolos diante do Sinédrio sendo interrogados e afirmando a ressurreição do Senhor; eles receberam açoites e se alegraram por sofrerem injúrias por causa do nome de Jesus. A segunda leitura do Apocalipse de São João, no cap. 5, traz a liturgia do céu: milhares e milhares de anjos, pessoas redimidas, os anciãos e os quatro seres vivos proclamando a glória de Deus que se encontra sentado no trono e a do Cordeiro Imolado, a eles o louvor e a honra, a glória e o poder para sempre. O evangelho proclama a terceira aparição do ressuscitado, desta vez às margens do lago de Tiberíades. Jesus preparou peixe assado para os Apóstolos e pão. Em seguida, dirige-se a Pedro, por três vezes, sobre o amor que tem para com ele e o confirma como aquele que devia apascentar o seu rebanho. E isso, Pedro faz até hoje através dos seus sucessores.

                   No quarto domingo, a lição dos Atos apresenta Paulo e Barnabé na sinagoga de Antioquia dirigindo a palavra de Deus também aos pagãos, visto que os judeus não a recebiam de boa vontade. A segunda leitura, do Apocalipse, narra agora um trecho do capítulo 7: João contempla os santos no céu, uma multidão oriunda de todas as tribos, povos e língua, trajando vestes brancas com palmas na mão. Um dos anciãos diz que estes vieram da grande tribulação, e lavaram e alvejaram as suas vestes no sangue do Cordeiro, por isso prestam culto dia e noite diante do trono de Deus. O Cordeiro é o Pastor que os conduzirá sempre para as fontes de água da vida. O evangelho evoca o tema do Bom Pastor, visto esse domingo já ser consagrado tradicionalmente a esta temática.

               O quinto continua, em sua primeira leitura, com a viagem de Paulo e Barnabé sendo, desta vez em Listra, Icônio, Antioquia, Panfília e Atália. Cada vez mais as portas da salvação abriam-se aos pagãos. Neste dia temos como segunda leitura o capítulo 21 do Apocalipse no que se refere à visão da Cidade Santa e só teremos a certeza de que um dia seremos seus moradores inseridos na ressurreição do Senhor.

          O evangelho deste dia apresenta o momento em que Judas, o traidor, deixa o cenáculo e Jesus dá aos seus discípulos o novo mandamento: “Filhinhos, por pouco tempo estou ainda convosco. Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós devei amar-vos uns aos outros. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros” (Jo 13,33-35). Neste tempo de Páscoa, lemos algumas cenas evangélicas ocorridas antes da Paixão, mas sempre à luz da Ressurreição.

          Finalmente, o sexto domingo da Páscoa traz como primeira leitura as resoluções do Concílio de Jerusalém: abstenção de carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue das carnes de animais sufocados e das uniões ilegítimas. Vemos aí que um dos frutos da presença do ressuscitado em sua Igreja é justamente a sua assistência contínua através do Espírito Santo. A Igreja é o corpo de Cristo ressuscitado que vai crescendo conforme à sua vontade manifestada através das pessoas que Ele mesmo escolheu, os apóstolos e seus sucessores. Para a segunda leitura temos duas opções do Apocalipse de São João. Primeiramente o texto da descrição da Jerusalém do Céu que tem como fundamentos as doze tribos de Israel e os doze Apóstolos do Cordeiro que é a lâmpada que ilumina, dia e noite, esta cidade. Como segunda opção apresenta-se o capítulo 22 que é a conclusão do livro do Apocalipse: João mais uma vez escuta a voz do Ressuscitado dizendo: “Eis que venho em breve, trazendo comigo a minha recompensa, para retribuir a cada um segundo as suas obras. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Começo e o Fim” (Ap 22, 12-13), concluindo com um grande Maranathá: VEM SENHOR JESUS!  No evangelho, também, temos dois textos á escolha. O primeiro é o de Jo 14,23-29 que trata da despedida de Jesus e a promessa da vinda do Espírito Santo. O outro de Jo 17,20-26 apresenta a oração do Senhor pelos seus de então e por nós hoje que viemos depois daquela comunidade inicial. Jesus pede para que sejamos um, assim como ele e o Pai. O sétimo domingo da Páscoa, aqui no Brasil, celebra-se sempre a festa da Ascensão do Senhor e o Oitavo é a grande solenidade de Pentecostes que encerra o Tempo da Páscoa, pois só poderemos dizer que Jesus é o Nosso Senhor no Espírito Santo.

         Assim, vamos aprofundando nestes cinquenta dias de Páscoa a presença de Jesus Cristo Ressuscitado agindo na sua Igreja e motivando-nos a estarmos em constante busca da santidade como homens e mulheres que vivem na alegria da Ressurreição.