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Principais Dimensões do Advento

Principais Dimensões do Advento

                                                          

                                                                        Por: Dom André Vital Félix da Silva, SCJ

Estamos vivenciando o tempo especial do Advento. O grande convite que a Palavra de Deus nos dirige é vigiar, isto é, estar atentos para não desperdiçarmos este tempo de graça nos ocupando com coisas periféricas e superficiais, que tiram a nossa atenção do o essencial. O cuidado para não cair na lógica mercadológica, que transforma tudo em objeto vendável, inclusive os símbolos que apontam para o Mistério, exige de nós cristãos um itinerário espiritual que oriente este nosso momento de preparação para o Natal do Senhor. Portanto, não podemos esquecer as dimensões fundamentais desse tempo favorável (Cristo, festa da Igreja, o Ano Litúrgico, págs. 186s):

  1. Tempo do Deus da libertação: A liturgia do Advento, por meio dos textos do profeta Isaías, nos apresenta o Deus que aterra os vales, aplaina as montanhas, faz com que o deserto floresça, coloca juntos o leão e o cordeiro. É o Deus que surpreende, que vem para proteger os pobres e dissipar as trevas por meio da sua Luz (cf. Is 9, 1-6; 40, 1-30; 45, 7-8). É o Deus que escolheu como lugar da sua revelação e atuação salvífica o mundo, a história.
  2. Tempo de expectativa vigilante e alegre: Em toda a liturgia do Advento ressoam as promessas de Deus que foram cumpridas em Jesus Cristo. Porém, no fim dos tempos, irá se realizar em definitivo a história das “promessas de Deus” e aparecerá o objeto de todas essas promessas, isto é, o próprio Deus, visto e contemplado em toda a riqueza da sua graça. É a expectativa gerada no Advento e que nos conduz a um estado de vigilância e de preparação para esse grande momento. A expectativa vigilante é sempre acompanhada da alegria. Por isso podemos afirmar que o Advento é tempo de expectativa jubilosa porque aquilo que se espera certamente acontecerá. Deus é sempre fiel.
  3. Tempo de esperança: São Paulo nos mostra que o Deus da revelação de Jesus Cristo é o “Deus da esperança” (Rm 15,13). Por isso toda a Igreja vive dessa grande esperança, e nela nos mergulha no Advento. O povo de Israel esperou o cumprimento das promessas de Deus e a Igreja vive delas. A esperança da Igreja é a mesma do povo de Israel, mas já realizada em Cristo. A Igreja vive, na esperança, a sua existência como graça de Cristo para todos os homens. E pelo mistério do Advento, essa mesma Igreja é chamada a tornar-se sinal concreto de libertação integral do homem. O Advento é o tempo litúrgico da grande educação à esperança: uma esperança que se torna, pela graça de Deus, forte e paciente; que aceita a hora da provação e da perseguição; enfim, uma esperança confiante.                                                                                                                                                

  1. Tempo de conversão: A experiência nos mostra que não existe possibilidade de esperança e de alegria sem retornar ao Senhor de todo o coração, na expectativa da sua volta. Para isso, precisamos converter radicalmente os nossos corações ao Senhor com a real disposição de deixar o que é velho em nós e assumirmos o novo em nossas vidas. Conversão que não é puramente esforço humano, mas atitude humilde de quem reconhece que não consegue crescer sozinho, de maneira autossuficiente. Mas voltando-se para Deus, fonte da vida, encontra a possibilidade de reconciliação e paz.
  2. Dimensão histórica da salvação: Deus se fez carne e veio habitar no meio de nós. O Deus eterno quis entrar no tempo e viver a nossa história. Ele é o “Deus-conosco” que salvou a humanidade inteira. No Advento recordamos essa dimensão histórica da salvação, realizada em Jesus Cristo, que nos conduziu à plenitude dos tempos (cf. Gl 4,4). Afirmar a realização da salvação na história não significa fechar-se num horizonte estreito, mas é reconhecer o ponto de partida de uma longa de atuação da misericórdia de Deus para salvar o ser humano que Ele o quis histórico.
  3. Dimensão escatológica do mistério cristão: O Senhor Deus se manifesta em sua Palavra como “Aquele que é, que era e que vem” (Ap 1,4-8; Ex 3,13-14). Por isso, o Advento, com a sua liturgia própria, nos ajuda a ver a história como lugar do agir das promessas de Deus e nos direciona para o seu cumprimento no “Dia do Senhor”. A oração do advento é ritmada pelo Marantá, Vem Senhor Jesus, já presente mas que precisa ser acolhido.
  4. Dimensão missionária: No Advento, toda a Igreja contempla o Pai que envia seu Filho para salvar a humanidade por meio da ação (envio) do Espírito Santo. Por isso o Advento de Cristo na Igreja e por meio da Igreja atua-se mediante a missão. Esse Tempo litúrgico é assim, por sua própria natureza, o tempo do aprofundamento do significado autêntico da missão. A Igreja não vive para si, mas para o mundo. Cada cristão participa dessa missão de proclamar a vinda do Senhor e de esperá-la com uma alegre expectativa. Isso é essencial na vida cristã. E o mistério do Advento nos insere nessa missão.  

Enfim, ao contemplar e viver a espiritualidade do Advento, percebemos duas grandes dimensões: a escatológica (aprofundada até o dia 16 de dezembro) e a natalina (aprofundada do dia 17 a 24 de dezembro). O caráter pedagógico do Advento nos ajuda a mergulhar no Mistério infinito de Deus revelado na nossa história concreta.

 

Dom André Vital Félix da Silva, SCJ. Bispo da Diocese de Limoeiro do Norte – CE. Mestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana.

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