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Trabalho dentro e fora dos presídios ajuda na ressocialização dos detentos

Trabalho dentro e fora dos presídios ajuda na ressocialização dos detentos

Quem passa pelo Parque Treze de Maio, no centro do Recife, está aprovando a recuperação dos brinquedos instalados no local para o lazer das crianças. Muita gente não sabe, no entanto, que o trabalho de limpeza, solda e pintura dos balanços, escorregadores e labirintos está sendo feito por um grupo de detentos que cumprem pena em regime aberto ou liberdade condicional.

Os reeducandos trabalham graças a um convênio envolvendo órgãos do Governo e o Patronato Penitenciário. O trabalho é uma oportunidade de qualificação profissional, além de remissão de pena e ocupação mental para o bem e a promoção humana. Com os mesmos objetivos, trabalhos são oferecidos ainda dentro da prisão. Na Colônia Penal Feminina do Recife, um grupo de detentas se ocupa do ofício de costureira em duas confecções instaladas na unidade prisional. Elas cumprem expediente de oito horas diárias e recebem 75% do salário mínimo.   

A Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Olinda e Recife acredita na valorização desses irmãos considerados invisíveis socialmente, por meio da promoção e do incentivo à formação profissionalizante dos detentos. Exemplos são as oficinas ofertadas aos reeducandos do Presídio de Igarassu, conhecido como PIG, que produzem tapeçaria e sabonete reciclado em barra. O projeto é uma iniciativa pioneira da direção da unidade prisional, conduzida por Charles Belarmino, e conta com a coordenação de Maria das Graças, psicóloga e servidora pública da unidade. Para o coordenador da Pastoral Carcerária na Arquidiocese de Olinda e Recife, Valdemiro Cruz, “a experiência que está acontecendo no PIG é um modelo que deveria ser seguido, pois trata-se de um bom exemplo de gestão integrada, que dialoga com os diversos atores envolvidos na unidade prisional”.

As vagas em atividades como estas, na colônia feminina do Recife, ou em Igarassu, ainda são poucas. A socióloga e antropóloga Lourdes Bandeira, professora do departamento de sociologia da Universidade de Brasília (UnB), pontua que, com 78% da população carcerária brasileira sem trabalhar, fica difícil conseguir que sejam bem aceitos pela sociedade quando forem soltos. Para ela, o o período de cárcere deveria estar sempre vinculado a um sistema de ensino profissionalizante. “Isso motivaria o preso a se dedicar ao trabalho e ao estudo, pois saberia que ao sair estaria bem capacitado profissionalmente”, afirmou.

Irmã Petra Silvia Pfaller, coordenadora nacional da Pastoral Carcerária para a Questão da Mulher Presa, ao participar recentemente de um programa de televisão, garantiu que a maioria dos presos tem condições de trabalhar nas prisões. “O preso quer trabalhar, gosta de trabalhar, quer ocupar o tempo”. Ela, no entanto, apontou problemas de implantar expedientes de trabalho nos cárceres. “Primeiro, falta espaço físico, faltam salas, galpões, um espaço para eles poderem exercer esse trabalho e para instalar máquinas”, disse. Segundo Ir. Petra, alguns chefes de segurança vetam as intervenções por considerarem-nas perigosas quanto à questão de segurança.

O trabalho da Pastoral Carcerária em todo o Brasil, no entanto, segue reafirmado no compromisso com a evangelização como presença da igreja, promoção da dignidade humana e a busca de um mundo sem cárcere. A agente da pastoral carcerária Marlene Santana é testemunha da mudança de ares que a profissionalização e ocupação responsável trouxe aos detentos de Igarassu. “Observamos que agora, as tensões estão reduzidas na unidade, o interesse e a autoestima dos detentos estão elevados, pois está sendo direcionado a eles um olhar, um esforço para incluí-los e oferecer a eles formação, dignidade”, conta a voluntária. Os detentos trabalham também em uma horta sem agrotóxicos, desenvolvida no interior do presídio. Seus familiares adquirem uma grande cesta com hortaliças por um preço simbólico de R$ 5,00. Os produtos podem ser consumidos ou comercializados para ajudar no sustento da família.

Pascom AOR

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