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Arcebispo recebe moradores de Ipojuca e Cabo para diálogo sobre impactos do empreendimento Suape

Arcebispo recebe moradores de Ipojuca e Cabo para diálogo sobre impactos do empreendimento Suape

Na última quarta-feira 12/07, o arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, recebeu a visita de moradores dos municípios de Ipojuca e do Cabo de Santo Agostinho, representantes de associações de pequenos agricultores, de pescadores, da ONG Centro das Mulheres do Cabo, da paróquia Anglicana Jesus de Nazaré e do Fórum Suape. O grupo procurou o arcebispo para buscar apoio no sentido de reverter os impactos decorrentes da instalação do Complexo Industrial Portuário Governador Eraldo Gueiros (CIPS), conhecido como Porto de Suape. Segundo os representantes dos moradores do entorno de Suape, as comunidades de agricultores familiares e de pescadores, fixados na terra há décadas, vêm sofrendo com a degradação do meio ambiente e com elevação da violência decorrente da desmobilização da obra nos municípios. O tema do encontro sensibilizou dom Fernando especialmente por que diz respeito à defesa da vida e se relaciona com a vivência da campanha da Fraternidade 2017: biomas brasileiros e defesa da vida.

O complexo de Suape é uma empresa de capital misto administrada pelo Governo do Estado de Pernambuco e encontra-se localizado na área de estuário da foz dos rios Massangana e Ipojuca, no litoral sul do estado, a 40 quilômetros da capital, ocupando uma área de 13.500 hectares, onde populações caiçaras e descendentes de indígenas e de agricultores viviam há décadas em estreita conexão com a natureza e seu ecossistema circundante: mangues, rios, praia, restinga.

Filha de pescadores, a professora Maria Elidineide da Rosa, que integra a Associação de Moradores de Gaibu, relatou para o arcebispo que a desmobilização das obras de expansão de Suape foi responsável, em Gaibu, pelo surgimento de seis novas comunidades, formadas por ex-trabalhadores do empreendimento, vindos de outros estados e cidades brasileiras que não receberam indenização trabalhista após o término da obra, e consequentemente, fixaram-se na região por falta de recursos para retornarem a suas terras natais. Em decorrência, a professora que é também paroquiana da capela São Pedro, em Gaibu, contou que a população nativa sofre com o aumento da violência na cidade e são centenas de crianças ameaçadas pelo tráfico de drogas e alta incidência de assassinatos, estupros, casos de depressão e suicídio. “Devido à falta de planejamento do governo estadual, para absorver os impactos decorrentes da desmobilização da construção civil de Suape, as comunidades de pescadores, de ribeirinhos e de pequenos agricultores, os moradores nativos da região, vêm perdendo a sua identidade, largando o seu ofício e os rios, mangues e matas estão sendo devastados”, revela a moradora da praia de Gaibu, no município do Cabo.

De acordo com Heitor Scalambrini, coordenador do Fórum Suape, organismo que congrega os interesses dos moradores nativos de Ipojuca e do Cabo, a desmobilização de Suape, que teve início em 2014, já era esperada, mas foi a segunda maior do Brasil, depois da construção da capital federal (Brasília) e gerou um impacto de cerca de 50 mil trabalhadores desempregados, entre locais e de outros estados brasileiros. O representante da Associação dos Pescadores Profissionais em Atividade do Cabo de Santo Agostinho, Ednaldo Rodrigues de Freitas, contou que existem comunidades inteiras, com mais de duas mil famílias, que vêm sendo retiradas do entorno de Suape, regiões próximas aos rios, Mata Atlântica e mangues, e que serão realocadas em assentamentos, pelo empreendimento Suape, para municípios vizinhos, distante de suas atividades originárias, como a catação de mariscos, a pesca marinha e ribeirinha.

“Esta mudança vem gerando muitos casos de depressão e de suicídio nas comunidades, os moradores que são reassentados noutros solos estão morrendo. É muito triste esta situação”, destaca o pescador. Segundo o Fórum Suape, as obras de expansão do Complexo Industrial Portuário de Suape representam, desde o ano 2000, um impacto direto na vida de 28 comunidades, formadas por ribeirinhos, pescadores, catadores de marisco, pequenos agricultores, cerca de sete mil famílias, situação agravada com o inchaço populacional decorrente da desmobilização em Suape.


Ao término do encontro com os representantes dos moradores nativos do Cabo e de Ipojuca, o arcebispo metropolitano sugeriu ao grupo para se articularem com o Vicariato Cabo e com a Assembleia Legislativa Estadual. “É importante vocês formarem uma comitiva, para pedir apoio ao legislativo estadual, pois a situação é desafiadora para ambos os lados”, salientou dom Fernando.   

 

A igreja católica do Brasil mostra-se apreensiva com a questão da ecologia, pois o Brasil infelizmente é o país mais perigoso para os defensores do meio ambiente, tendo registrado 25% do total de assassinatos de ativistas ocorridos no mundo em 2016, de acordo com um relatório da ONG Global Witness divulgado nesta quinta-feira, 13/07. Segundo o relatório da ONG ambientalista, no ano passado pelo menos 200 ativistas ambientais foram mortos em todo o mundo, sendo 60% deles na América Latina. Desde 2011, o Brasil é o país onde mais pessoas morrem em conflitos de terra no mundo. O relatório da ONG Global Witness conclui que este é o reflexo de uma onda de violência, em que as empresas mineradoras, madeireiras, hidroelétricas e agrícolas passam por cima das pessoas e do meio ambiente em sua busca por lucro.  

Fontes:

Relatório Luz da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável (Síntese);

http://www.bbc.com/portuguese/brasil-36580912

http://especiais.jconline.ne10.uol.com.br/documento-suape-2015/

(Pascom Arquidiocese)

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