Menu de Navegação de Páginas

Mensagem de Páscoa por Dom Fernando Saburido

Mensagem de Páscoa por Dom Fernando Saburido

Purificai-vos do velho fermento, para que sejais uma massa pura. Jogai fora o fermento da malícia e da duplicidade,
porque Cristo, nossa Páscoa, foi sacrificado por nós” (1 Cor 5, 7).

 

Queridos irmãos e irmãs,

Mais uma vez, o calendário litúrgico nos traz a festa da Páscoa e para nós, que cremos, nunca pode ser uma mera repetição no ciclo de festas do ano. Cada Páscoa deve ser celebrada como acontecimento novo e que nos transforme. Se não acolhemos a Páscoa como chamamento de Deus para darmos um passo a mais no caminho da conversão e de uma vida nova, não adiantaria celebrarmos o memorial da morte e ressurreição de Jesus.

A novidade da Páscoa deve se expressar no nosso modo pessoal de viver a fé e também no nosso empenho social para que esse mundo se renove e seja mais de acordo com o projeto divino. A Campanha da Fraternidade no Brasil e a preocupação do Papa Francisco com os migrantes e os pobres no mundo, nos motivam a fazer uma profética experiência pascal. Por isso, gostaria de refletir com vocês em que pontos essa Páscoa pode marcar a nossa realidade.

Uma preocupação concreta e urgente do sucessor de Pedro tem sido a situação dos nossos irmãos e irmãs da Síria que têm passado por tantas perseguições e sofrimentos com as intermináveis guerras e conflitos, inclusive, com expressivo número de civis mortos, entre eles jovens e crianças, nos últimos dias. Por eles, o papa convocou recentemente uma corrente mundial de oração pela paz. O amor solidário e a preocupação pela justiça constituem o próprio coração da fé bíblica e da celebração da Páscoa.

DOM FERNANDO GRAVOU
UM VÍDEO PARA OS FIÉIS
COM SUA MENSAGEM DE  PÁSCOA

No Brasil, vivemos uma prolongada crise ética, econômica e política, enfim, uma crise social que traz sofrimento e perturbação para nossa gente. O povo brasileiro continua extremamente dividido e ainda se percebe uma onda de intolerância e impossibilidade de diálogo entre quem pensa diferente. Nós, ministros de Deus, precisamos ajudar nesse campo a restabelecer um clima de fraternidade e de convívio, sobretudo nas diferenças. O Conselho Permanente da CNBB, na reunião do último mês de março, se pronunciou de modo claro e forte contra as preocupantes propostas de Reforma da Previdência, da Terceirização e do fim da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, que têm inquietado tanto o nosso povo. Na nossa arquidiocese, me parece importante que, nas paróquias, os padres ajudem a que os fiéis tenham acesso a esse pronunciamento que, por sinal, já tive oportunidade de recomendar recentemente. Isso possibilitará uma maior consciência e envolvimento na luta em defesa de direitos conquistados e agora ameaçados.

A citada Campanha da Fraternidade nos pede para conhecer e cuidar dos biomas, especialmente, aquele em que nos encontramos. Sejamos ativos e criativos, tendo em vista a preservação do meio ambiente, garantindo vida em melhores condições, para a nossa e as futuras gerações. Tem sido bastante educativo o gesto de plantar uma árvore nas várias ocasiões em que tratamos do tema da CF-2017, ou em algum momento da via-sacra promovida pelos vicariatos.

No Nordeste, o rio São Francisco está moribundo. Conforme pareceres técnicos, está bem abaixo de seu volume d’água normal. Por outro lado, a salinização avança em muitos trechos e a poluição das águas é cada vez maior. É importante que a polémica obra de transposição não nos deixe esquecer-se de exigir o cuidado necessário para salvar o rio de sua extinção, enquanto ainda for possível.

No mundo, o papa Francisco denuncia o que ele chama de “civilização da indiferença”. E na Igreja, o papa adverte contra o pecado do clericalismo que tem muitos aspectos e sobre os quais devemos, nós mesmos, nos revermos. Há poucos dias, na primeira semana de abril, o papa recebeu no Vaticano os católicos e luteranos, participantes do encontro que a Comissão Pontifícia de Estudos Históricos promoveu sobre os 500 anos da Reforma Protestante. O papa salientou que era a primeira vez que um encontro dessa natureza se realizava no Vaticano. Ele nos mostra que precisamos fazer um esforço maior para testemunhar a nossa fé comum. “É preciso que mesmo no cotidiano de nossas comunidades, aprendamos a passar do confronto à comunhão”, disse o santo padre.

Concluo desejando a todos vocês uma profunda e renovadora celebração pascal. Que Deus os/as abençoe com a plenitude de sua graça e dos seus dons!

Dom Antônio Fernando Saburido, OSB

Arcebispo de Olinda e Recife

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *